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ESPERANÇA

28/12/2009

Em meio às correrias, presentes, avaliações, votos de dias melhores e amigos distantes que retornam, tive uma surpresa agradável! Um lindo poema do meu amado Mário Quintana! Conheço muito dele, mas este não conhecia. Tão belo e tão perfeito para a ocasião! Declamado de forma sincera e emocionante por duas brilhantes atrizes da novela “Viver a Vida”, Lolita Rodrigues e Lílian Cabral. E quem disse que novela não é cultura? Este poema acrescentou uma imensidão de saber à minha vida:

Esperança

Mário Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

UM FELIZ 2010 A TODOS!

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COMPAIXÃO

21/12/2009

Final de ano parece o momento ideal para repensarmos a vida. É chegada a hora de novas metas, traçar planos, fazer promessas que sabemos impossíveis de serem cumpridas, se imaginar alguém melhor.

Mas o que é alguém melhor? O que um alguém melhor tem que o outros não têm? O que é ser “demasiado humano”? Um ser faltante e imperfeito ou um super homem?

Para mim o segredo da vida harmoniosa se chama “COMPAIXÃO”. Compaixão não é dó, não é pena, sequer empatia. A compaixão pode levar à empatia, mas é muito mais do que isto!

Compaixão é entender o lado emocional do outro, ter empatia e buscar minimizar seu sofrimento. Compaixão é querer o bem estar, a alegria, a felicidade do outro.

Neste Natal desejo que Papai Noel traga doses infinitas de compaixão para todos. Que em 2010 possamos ver o outro com os olhos da compaixão.

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Neve em Paris

17/12/2009

Foto da minha amiga Alexandra Dumas

Hoje neva em Paris e eu não estou mais lá, que pena! Mas foi uma semana maravilhosa! Viajei com amigas queridíssimas e mais do que divertidas. Tudo é motivo para boas e fartas risadas.

Chegamos a Paris com 9 graus e pegamos até 4 negativos (sensação térmica de -7).

Passeamos bastante pela cidade, enfrentamos todo este frio em longas caminhadas por entre suas luzes e história.

Fizemos também uma viagem, fomos ao Mont Saint Michel. Lugar inesquecível, senti vontade de ficar pelo menos uma semana passeando entre aquelas vielas medievais e contemplando a beleza da abadia construída para São Miguel Arcanjo. Fica no Canal da Mancha, num local onde existe a maior maré do mundo. A Normandia é pura história! Alguns capítulos mais recentes, como o “Dia D”, quando as tropas aliadas desembarcaram nas praias da Normandia para nos salvar do nazismo Hitleriano e do facismo que ameaçavam o mundo.

Fomos também à Bretanha e visitamos uma cidade praiana chamada Saint Malo. Uma grata surpresa! Saint Malo é uma cidade que lota no verão e durante o inverno costuma receber turistas que buscam seus hotéis para pernoitar durante a visita ao Mont Saint Michel. Ainda bem que viajamos mais 60 km e conhecemos esta belíssima cidade! Fortificada, tem um local chamado Intra-Muros que considero o mais belo da cidade! Saint Malo tem muita história, incluive de piratas e navios, é considerada a cidade-corsária. Vale a pena conhecer este tesouro às margens do Canal da Mancha.

Viajamos cerca de 1000 km e a viagem foi muito tranquila, por estradas maravilhosas! Que inveja! O problema era abastecer o carro! Descer do carro e ter que por diesel no tanque enfrentando 1,5 grau negativo é de doer. A mão parecia congelar e o tanque parecia que tinha 200 litros, não enchia nunca!

Mas tudo valeu demais, foi bom demais!

Aprendi mais algumas palavras em francês e tive muito cuidado para não dizer “merci” quando pisava no pé de alguém. Grande progresso!

Cada vez que viajo sinto minha alma renovada e cresce a vontade de conhecer mais.

É uma das melhores coisas da vida!

E vive la vie!

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Meus Dias de Danuza!

04/12/2009

Querida Danuza, preciso te contar: viverei meus dias de glamour!

Passarei uma semana em Paris!

Não, nada disso, não é a minha primeira viagem internacional e eu já estive em Paris. Mas esta viagem será diferente. Leu com atenção o que escrevi acima? Uma semana em Paris. Sairei de Salvador com destino a Paris, neste período que antecede as festas de final de ano e voltarei de Paris diretinho para Salvador.

Entende a diferença? Pobre, ou melhor, classe média com acesso a crédito em incontáveis parcelas não viaja para Paris, e sim para a Europa. “Centos” países em dez meteóricos dias. No retorno da viagem, centenas de fotos e milhares de lembranças embaralhadas. Aquela foto pode ser de uma rua em Londres, ou será Praga? Madri, Roma?!?!? Só mesmo um exemplar de Gaudi para nos lembrar que aquele belíssimo parque fica em Barcelona. O nome?!?!? Hummmm …. O google poderá ajudar! Ainda bem que temos a semelhança de Lisboa com Salvador e jamais deixaríamos de reconhecer a paisagem Veneziana.

Classe média tem que aproveitar que atravessou o oceano, gastou o dinheiro que passou um ano acumulando, sabe que na volta terá que pagar a passagem em 12 vezes e que o cartão de crédito terá estourado com a cota do free shopping (pobre não deixa um centavo da cota, gasta tudinho, nem que seja com goma de mascar). Pobre tem que “conhecer” tudo de uma vez só!

Não falo isto do alto de uma montanha de grana, não! Eu falo como uma pessoa que já fez viagens assim, que sabe muito bem o que é Europass e suas “trocentas” viagens ao alcance dos bolsos mortais.

Mas desta vez posso dizer que vou relaxar um pouco em Paris, quiçá fazer umas comprinhas para o Natal! Que chique! Imaginei que é isso que acontece com você! Uma mulher chique, viajada, descolada, inteligente!

Passarei uma semana batendo pernas na maravilhosa “Cidade Luz”, que deve estar bem mais iluminada neste período! Nada de Louvre com seus imensos corredores e sua mínima Gioconda. Nada de horários de trens, cabines apertadíssimas, noites mal dormidas! É o mundo dos civilizados. E ricos! Como não sou rica: o mundo dos que têm bom gosto!

Que chique ser Danuza Leão, nem que seja por uma rápida e prazerosa semana.

Vive la vie!

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Estreia do novo Almodóvar: Abraços Partidos.

04/12/2009

Hoje, no Cine Vivo no Paseo Itaigara, será a estreia do esperado filme de Almodóvar. Não perca “Abraços Partidos”!

SINOPSE

Um homem escreve, vive e ama na escuridão. Quatorze anos antes, ele sofreu um acidente de carro na ilha de Lanzarote, perdendo a visão e a mulher de sua vida. Esse homem usa dois nomes: Harry Caine, pseudônimo lúdico com o qual assina trabalhos literários, histórias e roteiros, e Mateo Blanco, seu nome verdadeiro, com o qual vive e assina os filmes que dirige. Depois do acidente, Mateo Blanco se reduz ao pseudônimo e passa a viver graças aos roteiros que escreve e à ajuda que tem de Judit García, sua fiel produtora, e do filho dela, Diego, seu secretário, datilógrafo e guia. Certa noite, Diego sofre um acidente e Harry se encarrega de cuidar dele. Durante os primeiros dias de convalescença, Diego pergunta a Harry sobre a época em que respondia pelo nome de Mateo Blanco e descobre o que houve 14 anos antes. A história de Mateo, Lena, Judit e Ernesto Martel é dominada por fatalidade, ciúmes, abuso de poder, traição e culpa. Uma história emocionante e terrível, cuja imagem mais expressiva é a fotografia de dois amantes se abraçando, rasgada em mil pedaços.

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O prazer em ver

30/11/2009

Este final de semana, como costumo fazer frequentemente, resolvi assistir alguns filmes que estão em cartaz no Circuito Saladearte. Gostaria de falar sobre dois: “Do Começo Ao Fim” e “Algo Que Você Precisa Saber”.

Do primeiro, que conta a história de um amor homossexual entre dois irmãos, não esperava muito. Havia lido críticas negativas que falavam sobre a falta de angústia no filme. Como, reconheço, tenho interesse por filmes densos e angustiados e o tema merece profundidade e muita angústia, coloquei-o na categoria dos “filmes menores” que não exigem expectativa nem doação. Me enganei! O filme realmente não tem muita angústia apesar de tratar de temas polêmicos, tema tabu! Primeiro a homossexualidade, hoje muito mais aceita e respeitada, mas ainda não completamente incorporada às famílias e seus festejos e a uma sociedade que finge e tenta ignorar a diversidade de gêneros. Segundo, do incesto. Tema polêmico? Não, tema tabu!

Mas entendi porque a leveza. O diretor queria falar de amor, um amor enorme, do começo ao fim. Um amor que não vê barreiras impostas e sequer respeita tabus máximos! Se houvesse a angústia do incesto, certamente este tema engoliria a leveza e beleza de um amor pleno!

Este filme fala também de compreensão e liberdade, esta mesma, que estamos todos condenados.  Do livre arbítrio que a família pode nos ensinar a exercitar diariamente. E fala de como o amor e a compreensão dos mais próximos pode tornar nossas escolhas muito mais leves e digeríveis. A família muitas vezes decreta-nos sentenças que passamos a vida cumprindo. E o pior; tudo isso feito, como dizem, em nome do amor. Por quererem “o melhor para nós”.

Quem pode saber o que é melhor para o outro? Nascemos e morreremos sós. Sós e com nossas escolhas, acertadas e equivocadas. Melhor que acertemos!

Vale a pena assistir. Apesar de sabermos pouco provável na realidade, o filme ensina a olhar o outro com parcimônia. Ensina também que existem amores que, apesar de desviados aos nossos conceitos,  podem durar do início ao fim das nossas vidas.

O segundo, francês, é estranho à filmografia deste (daquele) país. Como disse um amigo: uma novela! Adorei! São muitas coincidências que o diretor retrata! Mas para que filmar vidas banais? Do cinema francês trás os excelentes atores, o diálogo inteligente e uma ironia requintada! Os franceses não acreditas nos bons, mas afinal, quem, conhecendo um pouco desta vida, pode acreditar nesta falácia?

A família deste filme é falsa e parece segurar-se numa linha tênue, o dinheiro vai construindo e costurando as relações. Mas quando algo é dito, quando o segredo da família é exposto, tudo parece transformar-se. Trouxe comigo a lição de que a verdade pode doer, mas constrói. Parece piegas né? Este filme é nada piegas, tampouco minha conclusão.

Assistam e tirem as suas!

É o cinema me ensinando a enxergar o mundo real.

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O SER E O NADA

24/11/2009

Não entendo por que tentamos trazer para o real a matéria dos sonhos, ou mesmo dos devaneios.

Existem paixões que só devem ser sonhadas, o real não a traduziria. Existem sonhos que não caberiam na vida acordada.

Mas não somos só matéria, algo me escapa no momento da definição do ser. Algo que não vejo, não consigo provar, portanto não entendo e busco não acreditar.

Digo que somos energia aprisionada dentro de um corpo, assim como a energia das pilhas alcalinas. A morte é a liberação desta energia, que passará a tomar parte do todo. Não seremos mais um ser pensante, não seremos mais o que conhecemos como ser humano.

Ouvi um monge budista falar sobre uma garrafa cheia de água que segue boiando no oceano. A garrafa tem medo de partir-se. Ou o medo seria da água que está dento da garrafa? Assim nos sentimos em relação à morte, não queremos ser gotas a mais neste oceano, queremos a unicidade da garrafa, a barreira do corpo que aprisiona nossa energia e nos constitui como ser. A quebra da garrafa é equivalente à morte do corpo: a água flui para o oceano, passando a fazer parte daquele todo. Com a morte do corpo a energia liberada se juntará à energia que existe no cosmos e seremos parte deste todo cósmico.

Este é o meu Deus! Um Deus que nada tem de único e especial, que nada criou e nada acabará! Meu Deus é ciência e energia. Meu Deus é lógica e realidade! Sinto-me só sem este Deus que quase todos têm. Sinto-me desamparada sem esta fé que acalma e abranda as dores.

Sou só questionamento: para que serve tudo isto? E sabe o que me respondo? Para nada! Somos apenas composições químicas agrupadas em forma de ser humano, que nomeamos assim. Acabaremos como tudo acaba. Nascemos com prazo de validade e quando ele se extinguir nada mais seremos. Já imaginou a eternidade? Ser nada por toda a eternidade? É muito mais fácil acreditar em Deus!

Mas que pena, nunca trilhei o caminho mais fácil!

Um pouco de Fernando Pessoa para poetizar a dura realidade:

“Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a ação humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.”

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Podres Poderes

21/11/2009

A vida não é tão dura quanto sugere a razão. Nada pode ser avaliado apenas sob a ótica cartesiana do racional. E sabe por que? Porque sentimentos muitas vezes podem sobrepor o que é lógico e certo.

Quem fala isto é uma pessoa totalmente matemática e cartesiana. Uma pessoa que baseia sua vida no que é certo e irrefutável. Aceita apenas a verdade e nega tudo que não pode ser provado.

Alguém que, como Descartes, o filósofo que publicou o  “Discurso sobre o Método para Bem Conduzir a Razão a Buscar a Verdade Através da Ciência”, só tem olhos para o real.

Mas esta pessoa acorda um dia e pensa: há muito mais entre o céu e a terra do que acredita nossa hermética lógica.

Como filosofa Caetano: “será que apenas os hermetismos nos salvarão destas trevas?”.

 

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Na alegria e na tristeza

18/11/2009

Hoje acordei com Fernando,  na pessoa de Alberto Caeiro…

“… Submeto-me e sinto-me quase alegre,

Quase alegre como quem se cansa de estar triste.”

E penso que a felicidade é um produto limitado e escasso e que para tê-la é preciso arrebatar de alguém.

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FUNDO DO POÇO

14/11/2009

Fundo do Poço

A melhor maneira de voltar à tona é bater com os pés lá no fundo.

Impulsione, sobreviva!