Posts de Outubro, 2007

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A Vista Da Torre

30/10/2007

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Na torre encantada do palácio em meio ao pântano

Havia uma princesa solitária e linda

A princesa tudo enxergava

A todos

Seus olhos atravessavam enormes campos

Seu olhar podia penetrar

A todos

Era alta sua torre

Tão alta, que dela podia avistar o além horizonte

Tudo sabia a solitária e linda

Princesa que tudo avistava

Tudo tão distante e tão lindo

Tão assustador o mundo visto

Do ângulo que tudo avista

E contempla

Um mundo não vivido

Mas contemplado

Da alta torre que a vista tudo avista

Quem ousaria aproximar-se da torre

Tudo avista e tudo sabe

A torre que acolhe a princesa que nada vive

Tudo avista

E admira a vida contemplada

E contempla admirada a vida não vivida

Quem admira a vida

E vive o que contempla

Ousaria aproximar-se da admirada

Princesa que contempla

De além montanhas e muralhas

Do alto da torre que tudo avista

Vencer o pântano e montanhas

Subir muralhas que a vista esconde

A visão para a admirada princesa

Que tudo avista

Como chegar à bela solidão da princesa

Como enfrentar o dragão que a protege

De viver a vida avistada

A coragem de viver e a ousadia de ver

Levariam o príncipe a avistar a admirada

Princesa que leva em seu coração a vida avistada

E pegar a única arma que imobiliza

O dragão que a protege de viver a vida admirada

No coração da princesa solitária

A arma que lhe trará à vida

Quem ousar tocar o coração da bela

A trará para a vida que admira

E a terá admirada e amada

E a princesa admirará

A vida que avistava

E amará o corajoso príncipe

Que ousou tira-la da torre

Para viver o que avistava.

Suze

03/10/06

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Meu Mundo Caiu

29/10/2007

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O lugar pode ser considerado bairro de elite. A padaria, ou melhor, “delicatessen”, é frequentada por famílias endinheiradas com crianças rosadas e coloridas, casais com suas griffes da moda, senhores e senhoras com ar distinto, jovens sorridentes e barulhentos e mais alguns tipos que compõem o “nosso mundo”.

Na porta um vigilante. Nas imediações muita gente circulando.

Estacionamento? Na porta, claro! Ou chaves na mão do manobrista.

Tudo parecia muito tranquilo e seguro para uma mulher sozinha fazer algumas compras emergenciais.

Na saída, um olhar rápido para o vigilante que conversava animadamente com um cliente. Alguns passos até o carro, o barulhinho do alarme avisando que o acesso ao interior do veículo estava liberado e, como sempre, um olhar em volta como se pressentisse o perigo. Ponto de ônibus? Parecia. Algumas pessoas estavam próximas e aguardavam. Alguém caminha na minha direção. Não, não há perigo, ele pertence ao “meu mundo”.

Se aproximou como se fôssemos velhos conhecidos, pediu para que eu ficasse calma e que não iria me machucar. A abordagem foi tão amigável, que, por segundos, tive a sensação que ele me daria dois beijinhos no rosto. Não houve beijos, mas ele se comportava como se me conhecesse, apesar de ter me mostrado, em sua cintura, um revólver que me fez estremecer inteira.

Fui tirando minha bolsa do ombro num gesto que se assemelhava a um reflexo. Ele, rapidamente, me disse com um leve sorriso nos lábios: não quero sua bolsa, ela é muito grande. Juro que senti vontade de rir, apesar da tensão que o objeto brilhante na sua cintura me causava. Naquele momento parecíamos tão próximos! Mas, afinal de contas, ele tem cara de que pertence ao “meu mundo”.

Sem irritação e com bastante calma, me pediu que abrisse a bolsa e fosse tirando os objetos. Na sua mão, uma sacola pequena. Boticário? Não me lembro. Mas sei que a sacola também pertencia ao “meu mundo”. Muitas bugigangas foram tiradas e recolocadas. A carteira: “apenas o dinheiro”. Tirei todo o dinheiro; R$ 122,30. No meio de papéis amassados, um talão de vale refeição, este ele aceitou. Uma HP, minha inseparável HP. Dois celulares. Dois?!?!? Sim, dois aparelhos, com seus chips e as preciosas informações que eles contêm. “Bonito seu relógio”. Era a senha. Lá se foi um dos queridos da minha coleção. Ele colocou a mão dentro da minha bolsa e foi pegando coisas: batom (devolveu), mais batons (devolveu), gloss (devolveu), agenda, post-it, pente, espelho, hidratante para as mãos, fio dental, remédio… Tudo recolocado na bolsa, no seu devido lugar, ou melhor, na sua incomparável bagunça.

Pediu que eu entrasse no carro e saísse. Não falasse com ninguém e fosse rapidamente para longe dali. Fiz isso e não sei o rumo que tomou o tal rapaz.

Não era um rapaz que me fizesse sentir pena (como aconteceu com o apresentador Hulk e seu Rolex), até o medo que a situação costuma provocar era menor do que das outras vezes. Afinal de contas o “deliquente” parecia pertencer ao “meu mundo”.

Costumo dizer que sou contra a pena de morte porque algumas pessoas já nascem condenadas à morte. Nascem sem esperança e sem expectativa.

Mas não somos todos condenados? Qual será a tênue linha que separa o “meu mundo” dos “outros mundos”?

Agora me pergunto: de que mundo sou?

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Love Story

17/10/2007

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Miltinho cantava sem parar. Sua voz anasalada podia ser ouvida em toda a cidade: “você mulher, que já viveu, que já sofreu, não minta…”. O auto-falante não precisava anunciar; todos sabiam que era próxima a hora de mais uma sessão.

Na bilheteria uma loira séria, na entada da sala um homem maduro e no alto da casa, escrito em letras que saltavam em relevo, “Cine Jumar”. De onde surgiu aquele nome? Derivado de que? Junção de nomes? Pouco importava.

Lá dentro, algumas fileiras de cadeiras de madeira (sem almofadas) e um público alegre e falante. Alguns casais nas filas que apelidamos de “cadeiras dos namorados”. Elas ficavam no fundo do cinema, um lugarzinho mais escuro, discreto e aconchegante. Passávamos por elas para ter acesso à escada que subia até o local mais sagrado: a sala de projeção. Pelo caminho, nós, tentando parecer invisíveis, íamos prestando atenção em cada detalhe daquelas mãos entrelaçadas, beijos discretos e outros nem tanto. A escada era estreita e, no final dela, a sala de projeção!

Precisávamos esperar que a sirene soasse três vezes antes que a aguardada sessão iniciasse. De repente, a escuridão. Começava o mágico momento em que eu era tragada para um mundo de sonhos e fantasias. Primeiro algumas propagandas, filmes de curta-metragem, desenho animado (o que mais me lembro era de um esquilo que se movia ao som de Bach) e depois o longa. Tudo era sublime, desde o momento em que as luzes se apagavam: a tela sendo preenchida com as imagens, os sons, o barulho do projetor… Em alguns momentos eu era subitamente arrancada daquele sonho: a fita se partia, o filme parava, as pessoas gritavam (“olha o meu dinheiro”) e assoviavam e as luzes acendiam. Era o momento real de “remendar” a fita. Depois, com tudo de novo em funcionamento, a normalidade se reestabelecia. Eu, claro, embarcava outra vez nos meus sonhos. Ora Jane, ora uma “Criatura Que O Mundo Esqueceu”, muitas vezes uma dama de longos vestidos do velho-oeste e outras tantas no lombo do cavalo de Django.

Visitei o mundo à bordo daquele projetor. Meu mundo interno se enriqueceu e inquietou. Eram muitas indagações e muitas respostas também.

Era assídua no cinema. Assistindo através dos buracos da sala de projeção, sentada nas cadeiras ou no pé da escada olhando “os namorados”. Sempre um filme novo.

Um dia Meu Pai desistiu de projetar. Não lembro que esta decisão tenha me causado dor, mas agora traz lágrimas aos meus olhos. Eu não sabia o por quê de ter que ficar sem assistir filmes, ficar sem os meus sonhos. Hoje sei.

Muitos anos se passaram e eu deixei “o cinema” meio adormecido dentro de mim. De repente me redescobri cinéfila e nem sabia o motivo. Que boba! Será que precisava que Giuseppe Tornatore me ajudasse com seu Cinema Paradiso? Que Toto fizesse aquela colagem de beijos e arrancasse uma enxurrada de lágrimas dos meus olhos?

O Cinema é herança do meu pai, um cinema que, de tanto imaginar, acabei por construir no mundo real. Hoje tenho um Cinema. É o mais lindo da cidade! Ele é fruto da combinação de uma herança, amor, sonhos, trabalho, fé e uma pitada ( a gosto) da minha Amiga Infanta!

Que bom pertencer ao mundo real e poder sonhar na imaginação destes diretores. A sala escura do cinema é como um útero quentinho e acolhedor. Não quero sair dela.

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Adoro Nomes

15/10/2007

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Sempre gostei de palavras estranhas e dos sons de algumas delas. Recordo-me de ficar repetindo a mesma palavra diversas vezes porque achava bonito o som emitido: chame-chame, Bayer Leverkusen (este é lindo, não?) e alguns outros.

Caetano, meu ídolo mor na época, escreveu a letra da música Língua e pensei: “uau, somos iguais!”.

“…Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e imã imã imã imã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Matoso
E Arrigo Barnabé e Maria da Fé e Arrigo Barnabé…”

As palavras têm uma mágica penetrante e alteram o meu humor. Não aprecio apenas os sons, mas também a formação e significado delas. Gosto de criar palavras novas, adotar as que vou ouvindo por aí e dar significados diferentes às que já existem.

Talvez seja bastante fácil entender o que significa “espetaculador “. Pois é, foi exatamente este o personagem do meu filho na apresentação da escola quando ele estava com 7 anos. Apresentador de Espetáculo! Maravilhoso não? Se continuássemos a ter a criatividade e espontaneidade das crianças…

E filófilo? Responda-me: quem gosta mais de filmes, cinéfilo ou filófilo? Filófilo, claro! Fui chamada assim por uma amiga há cerca de uns 5 anos e nunca mais deixei de apreciar o bom cinema.

E infanta? Ah, vocês devem estar pensando: esta é fácil! Mas não se enganem com a pseudo familiaridade. Para vocês e para o Michaelis, infanta significa: “ sf 1 Feminino de infante. 2 Princesa. 3 Filha de rei que não é a herdeira da coroa (em Portugal e Espanha). 4 A esposa de um infante1“. Para mim o significado é muito maior e, como em todas as outras palavras para as quais atribuí significado, há uma história rica e um pouco de brainstorming. Ou seja, contei com a participação de outros “filólogos” como eu. Infanta quer dizer pessoa boa, que divide o que tem de melhor com os outros, que presenteia apenas para ver a carinha de felicidade do presenteado. Não confunda com caridoso. Infanta (observe que não coloco no masculino) é muito mais do que isto! Uma verdadeira infanta percebe o que a alma do outro necessita. A história que vivi para chegar a este significado? Ah, é longa e aconteceu na Espanha. Estávamos eu e uma amiga antiga e muito querida (que, coincidentemente, é também “filóloga”) passeando num parque, quando nos deparamos com o busto de uma garota. No busto estava escrito o termo infanta, seguido do nome do parque. Abaixo a  história era contada… A menina havia doado os jardins da sua casa para que a s pessoas pudessem visitá-lo, para que mais gente tivesse a oportunidade de apreciá-lo. No mesmo momento chegamos ao real significado de infanta. E mais, foi aí que descobri que esta amiga que estava ao meu lado poderia receber este “título”. Sim, esta amiga leu no fundo da minha alma uma dor e resolveu presentear-me com uma viagem à Europa. Vocês acham que isto é caridade? Claro que não! Associamos caridade à uma necessidade vital, de sobrevivência. Ninguém ousa imaginar que seja vital para um ser humano uma viagem à Europa. Mas ela sabia que este presente ajudaria a aplacar minha dor e resolveu fazer esta “doação”. Passar alguns dias viajando em boa companhia e dando risadas faz bem ao coração de qualquer ser humano. Muito mais que uma doação de dinheiro, foi uma doação de amor e compreensão. Ela, com certeza, notou a minha carinha feliz! Obrigada Amiga Infanta!

Outros infantes (agora sou obrigada a masculinizar a palavra) atravessaram o meu caminho. Em um momento muito complicado e doloroso da minha vida, minha irmã e meu cunhado me estenderam a mão (com as chaves de um apartamento). Pude fazê-lo meu lar por um tempo precioso e necessário ao meu reestabelecimento. Pensam que vejo este ato como doação financeira? Não, foi muito mais; foi doação de um caminho, uma alternativa para aquela vida que eu já não queria mais trilhar.

Foram muitos outros, muitas outras histórias… Agradeço aos infantes do meu (e do seu) mundo.

E as palavras? Ah, estas continuarão evoluindo. Muitas serão criadas, outras tantas, recriadas.

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Heranças

09/10/2007

Em algum momento a cidade deve ter se aquietado no domingo. Sons de gritos, buzinas, fogos estourando… Será que tudo parou? Pouco provável se pensarmos na incurável doença da chamada “nação tricolor” pelo time que muito pouco, ou quase nada, tem retribuído a estes fanáticos saudosistas.

Mas não deve ter sido o silêncio. Não, o silêncio não se fez. É bastante provável que, ainda hoje, eles estejam ganindo pela cidade, fardados de marinheiro e enlouquecidos pelo que consideram um milagre acontecido aos cinquenta minutos do segundo tempo. Milagre? Sim, o milagre da multiplicação da corrupção e das notas em malas ou em contas.

Mas aquietei-me. De um momento para outro é como se o mundo todo silenciasse e minhas pálpebras pesassem quilos que nem braços halterofilistas ousam levantar. Isto trago comigo desde que nasci. Na família costumamos dizer que é uma bênção. E é! Muitos sonham em possuir um botãozinho que possa ser desligado em determinados momentos da vida. Alguns compram este botãozinho na farmácia. Mas nós podemos dizer orgulhosos: temos o poder de desligar, nosso sono chega na hora que queremos. Herança paterna!

Nem os momentos de dor, fome (a dieta me acompanha desde que conheci o espelho), espera ansiosa e outros que nos marcam para sempre, conseguiram me deixar acordada. E o melhor de tudo é que é um sono voluntário. Basta querer e… zzzzzzzzz

francy-e-jurandir_pb.JPGQuantos traços trazemos dos nossos! Alguns não herdei, mas tentei aprender nestes mais de 40 anos. Muitos, por mais que tente, não consigo incorporar.

Minha Mãe possui uma característica que é uma das que mais admiro nas pessoas: a alegria e o prazer pela vida! Meus pais vivem como se a vida fosse acabar amanhã e, o melhor de tudo, principalmente para nós, seus filhos, com muita responsabilidade! Acho que esta dádiva deveria ter vindo no meu cromossomo x, mas não veio. Meu Pai; ah, este, com certeza, nasceu com a alma atormentada dos piscianos! Mas trouxe bem dentro de si a imensurável capacidade de amar e admirar alguém. Sua admiração chegou ao ponto de incorporar o que a leve e evoluída alma da minha Mãe trouxe para distribuir neste mundo.

Cresci nesse ambiente festivo e “amigueiro”. Mas fui uma criança chorona, uma adolescente rebelde e uma adulta que nada tem de “feijão com arroz”. Apesar de tudo isso sou feliz e agradecida pelo maior presente que podia ter recebido na vida: estes pais maravilhosos e dois irmãos “amigos”.

Tive que prestar muita atenção na forma como minha Mãe encara a vida para tentar incorporar um pouco deste mágico saber na minha atormentada existência. Mas por que atormentada? Não sei, minha alma traz uma tormenta de séculos. Mas repito, sou feliz! Só que não feliz simplesmente, naturalmente.

No caminho encontrei poucas pedras. Minhas retinas jamais esquecerão quão limpas foram as estradas da minha vida. Sempre me aproximei de “gente do bem”. A família que escolhi (os amigos) não são diferentes da minha essência. Tenho uma Companheira de mais de 20 anos. Não posso dizer que é minha amiga, mas também garanto que sou hetero. Essa Companheira cobra para me receber (sinceramente, isso é o de menos). Ela ajudou-me a assumir a herança dos meus que, inutilmente, tentava esconder. Ela me deu mais vida e um dia eu a dediquei a canção “O Amor”.

O Amor

Gal Costa

Composição: Caetano Veloso (baseado em poema de Vladimir Maiakovski)

Talvez, quem sabe, um dia
por uma alameda do zoológico
ela também chegará
ela que também amava os animais
entrará sorridente assim como está
na foto sobre a mesa
ela é tão bonita
ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão
o século trinta vencerá
o coração destroçado já
pelas mesquinharias
agora vamos alcançar tudo o que não podemos amar na vida
com o estrelar das noites inumeráveis
ressuscita-me
ainda que mais não seja
porque sou poeta
e ansiava o futuro
ressuscita-me
lutando contra as misérias do quotidiano
ressuscita-me por isso
ressuscita-me
quero acabar de viver o que me cabe
minha vida para que não mais existam amores servis
ressuscita-me
para que ninguém mais tenha de sacrificar-se
por uma casa, um buraco
ressuscita-me
para que a partir de hoje a partir de hoje
a família se transforme e o pai seja pelo menos o Universo
e a mãe seja No mínimo a Terra
a Terra
a Terra

Existem poemas que parecem tão nossos que poderíamos tê-los escrito. Por isso nunca canso de repetir o que escreveu Mário Quintana:

“Qualquer ideia que te agrade,
Por isso mesmo… é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua…”

Isto me deixou livre para usar as palavras alheias (mas sempre fazendo referência a quem as disse ou escreveu).

Hoje sei que vivo num mundo melhor, apesar do gol aos cinquenta minutos do segundo tempo. Porque meu mundo é interno. Apenas 10% do que me acontece posso atribuir à fatores externos, o restante atribuo à forma como avalio e encaro estes acontecimentos.

Queria deixar um recado a todos que permito que me rodeiem (sim, esta é uma permissão sagrada!): eu os amo!

Suzana Argollo

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As voltas que esta vida da…

05/10/2007

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Ei Menina!

É comigo?

Aonde você vai? Porque tanta pressa?

Não viu? O mundo cresceu, precisamos correr para que possamos contemplá-lo por inteiro.

Inteiro? O mundo? Enlouqueceu garota? Ninguém conhece todo o mundo.

Como não? O mundo inteiro está em mim, em você! Somos parte do todo.

Então para que correr? Basta fechar os olhos e aquietar a mente. Se o mundo inteiro está em você, contemple-o!

Não me basta contemplar, careço experimentar. Preciso ir, estou atrasada, as voltas do mundo não esperam.

E não voltam?

Voltam, num eterno retorno. Mas gira em espiral, nunca estarás no mesmo ponto, jamais igual. A cada volta novas marcas surgirão e teu corpo desenhará todos os caminhos percorridos. A história ficará marcada em ti.

Custa ter marcas, para nós é muito caro ter todos estes desenhos no corpo.

Sim, eles contam a história tua e do mundo. É caro ter marcas!

E como mantê-las?

Conservando a tua verdade, enfrentando as dores e a tua imagem refletida.

E o retorno?

É a oportunidade da redenção, de vermos tudo, assistirmos ao replay da nossa vida. Mas escute: não mais da mesma forma, não com as mesmas oportunidades. A volta te encontrará em outro ponto, com outros desenhos na pele. Aproveite cada minuto e ângulo que o mundo te concede.

Posso saber mais?

Podes saber tudo! Mergulhe. Mas não mais me pergunte, preciso ir, estou atrasada.

Suzana Argollo

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Nasci

04/10/2007

suze-baby.jpgQuando eu era pequena passava horas desenhando cidades com casas, prédios, ruas, praças e jardins. Também adorava brincar de boneca (preferia as bonecas de papel). Tinha uma caixa cheia delas! Era mais fácil fazer com que a família de bonecas de papel crescesse; elas eram mais baratas. Eu gostava de ter muitas bonecas! E de brincar sozinha.

Mais crescida e muito indecisa, cheguei ao terceiro ano colegial. E agora, que farei da minha vida? Medicina, diziam alguns. Direito, seu pai sempre sonhou em ser advogado. Minha mãe dizia: “arquitetura, você sempre desenhou cidades e transformou suas gavetas de roupas em casas de bonecas”. Com cadeirinhas, mesinhas, caminhas, sofazinhos, quadrinhos na parede e tudo o mais que tem numa casa. Tinha até parede! De papel, claro!

Fiz arquitetura, desisti no meio do caminho, fiz administração, terminei o curso para não ter uma segunda interrupção marcando minha vida e descobri que gosto mesmo é de gente.

Eu não desenhava cidades, contava estórias! Naquelas casas e prédios moravam pessoas com todas as particularidades que a vida nos oferece. Eram verdadeiras cidades habitadas.

Eu não brincava de boneca, inventava estórias. Não trocava a roupa, penteava os cabelos e dava comida às bonecas… Eu dava vida àqueles pedacinhos de papel. Uma vida que passava, que seguia o tempo. Eram estórias compridas e emaranhadas. Personagens densos e estruturados.

Enquanto brincava, me apaixonei por livros e filmes. Verdadeiras histórias! Minha imaginação viajava, podia passar horas deitada devorando páginas e mais páginas daquele fantástico mundo. Montava os personagens e os cenários na minha cabeça; ler me fez criativa, inquieta e atormentada.

Não sou arquiteta, não sei desenhar. Mas gosto de gente, de ouvir histórias das pessoas e imaginar soluções para os problemas diversos. Sou um pouco psicóloga, um tanto administradora, muito cinéfila e sonho ser escritora.

Começo aqui a engatinhar o meu sonho, ousar assumir a minha profissão infantil.

Bem vinda!

Suzana Argollo

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Hello world!

02/10/2007

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