Jamais imaginei ser assim minha Metade.
Uma narcísica só verá no espelho o que é seu. Não reconhecerá o estranho refletido.
Mas nem narcísica sou!
Só que minha Metade me pareceu tão estranha! Sim, estranha de início.
Depois as partes foram, pouco a pouco, se encaixando. Aqui sobre, lá falta…
Quanto de ti careço! Quanto de mim é pura doação!
O tempo apara e torna mais suave o encaixar.
Quantas descobertas em ti foram modificando em mim o reflexo.
Quanto de ti ajudou-me a ser um humano melhor.
Metade de mim é carência, Metade doação. Metade leite abundante da vida, Metade café quentinho e aconchegante.
É arte unir parte. É sabedoria reunir seres.
Para ti, que não é parte arrancada, mas Metade somada; minha eterna admiração.
Para ti meus beijos ardentes e minhas lágrimas de sincero pesar. Quando pesa a vida.
Tu que és ombro, lábios e aplaca a minha fome. Preenche vazios sempre ávidos de ti.
Oh estranha Metade!
Tão distante no tempo, tão próxima no espaço!
Tão próxima nos desejos e atitudes.
Tão distante na crença e tão próxima na prática!
Tu, que não estavas ao meu lado na alvorada, estarás no ocaso?
Não importa, foi ao acaso que me encontraste.
Seguirei assistindo ao seu belo desabrochar e às vitórias que estourarão no seu caminhar.
Sempre por perto.
Enquanto soubermos semear vida à nossa volta em todo o nosso caminhar.



