Posts de Fevereiro, 2008

h1

OH METADE DE MIM!

21/02/2008

Jamais imaginei ser assim minha Metade.

Uma narcísica só verá no espelho o que é seu. Não reconhecerá o estranho refletido.

Mas nem narcísica sou!

Só que minha Metade me pareceu tão estranha! Sim, estranha de início.

Depois as partes foram, pouco a pouco, se encaixando. Aqui sobre, lá falta…

Quanto de ti careço! Quanto de mim é pura doação!

O tempo apara e torna mais suave o encaixar.

Quantas descobertas em ti foram modificando em mim o reflexo.

Quanto de ti ajudou-me a ser um humano melhor.

Metade de mim é carência, Metade doação. Metade leite abundante da vida, Metade café quentinho e aconchegante.

É arte unir parte. É sabedoria reunir seres.

Para ti, que não é parte arrancada, mas Metade somada; minha eterna admiração.

Para ti meus beijos ardentes e minhas lágrimas de sincero pesar. Quando pesa a vida.

Tu que és ombro, lábios e aplaca a minha fome. Preenche vazios sempre ávidos de ti.

Oh estranha Metade!

Tão distante no tempo, tão próxima no espaço!

Tão próxima nos desejos e atitudes.

Tão distante na crença e tão próxima na prática!

Tu, que não estavas ao meu lado na alvorada, estarás no ocaso?

Não importa, foi ao acaso que me encontraste.

Seguirei assistindo ao seu belo desabrochar e às vitórias que estourarão no seu caminhar.

Sempre por perto.

Enquanto soubermos semear vida à nossa volta em todo o nosso caminhar.

h1

ADEUS MENINOS

15/02/2008

dscf0988-863-x-1151.jpg

Um dia, assim sem mais nem menos, sem que você tivesse tempo para se preparar e sem aviso prévio, você faz uma descoberta surpreendente: seu bebê cresceu!

Minha nossa, como os traiçoeiros anos fizeram velozmente sua passagem! Os seus braços não dão mais conta de embalar um garotinho tão grande e bem alimentado! Boi, boi, boi, boi da cara preta… Pára com isso; que mico! Quero “Toda Boa” no meu MP4. Oh… tão tecnológico quanto a mãe, que orgulho!

Mas como dar conta de hormônios que ameaçam aflorar? E o novo colégio? Tão grande, diferente, assustador!

Como lidar com o primeiro amor e as lágrimas que, provavelmente, o acompanhará? Ver o seu bebezinho sempre tão bem cuidado, embalado, lembrar das fraldas trocadas, das noites mal dormidas, dos banhos carinhosos,  da massagem no seu corpinho macio, dos cuidados dia após dia, direcionar os olhos para outra mulher pode ser uma experiência dolorosa. Como aquele projeto que só tinha olhos para você, pode, de repente, se “engraçar” por aquela magricela? Ultrajante! Mas esperado! Bom que aconteça, por mais que o ciúme corroa silenciosamente o seu ser.

As dores do crescimento se repetem, para as mães, com todos os seus filhos. Por mais que os deixemos livres para viver, experimentar e sofrer (ah, isso não; que o sofrimento venha em dobro para mim) nunca desgrudamos os olhos deles, sempre enxergando-os com os olhos da primeira vez. Sempre pequeninos e indefesos, sempre necessitando da nossa proteção.

Somos filhos melhores depois que nos tornamos pais. Meu Pai sempre diz que os filhos pagam aos filhos o que os pais fizeram por eles.

Fazemos muito por eles e eles não nos devem nada. Isso é amor em estado puro.

Queremos para nosso bebês apenas uma coisa: o que houver de melhor no mundo. É muito? É o mínimo!

Que amadureçam em paz os nossos  pequenos e que sejam para sempre, aos nossos olhos, aqueles projetinhos que acabaram de sair do nosso imenso útero materno.

h1

Uma “blogada” no coração

13/02/2008

natal-2005-e-janeiro-barra-grande-2006-026.jpg

O que me leva à escrever não é o saber exarcebado, a técnica apurada ou a necessidade de que outros me conheçam. A emoção me remete às palavras! O “start” para que os sentimentos aflorem pode ser uma música, um filme (sim, sempre os filmes!) ou até mesmo a leitura de um blog. Hoje um blog quase me leva às lágrimas e me empurrou à escrita. Não é um blog comum, mas sim o de uma pessoa que, além do apurado saber gramatical, possui sensibilidade e arte na lida com as palavras.

Chega a ser estranho uma estranha no mundo real me parecer tão íntima! A leitura do seu blog foi fazendo com que, aos poucos, eu admirasse essa garota que parece um ser iluminado e ímpar. Agora, na sua fase gestacional, a duplicidade de pessoas dentro de uma parece ter multiplicado sua sensibilidade. Concluí: pessoas podem crescer em progressão aritmética, mas sentimentos, com certeza, crescem em progressão geométrica.

Lendo sobre bracinhos, cabecinha, pezinhos… me peguei com vontade de “maternar” (adoro criar palavras) outra vez. É lindo pegar um projetinho no colo! Sou mãe de garotão de 10 anos e sempre me emociono quando ele me chama Mamãe.

Estou vivendo uma fase em que a maternidade tem me rondado, apesar de não estar mais na idade de engravidar (tampouco minhas amigas). São histórias de adoção (muitas) e gravidez de conhecidas.

Não consigo me ver outra vez grávida e envolvida com fraldas, mamadeiras, choros noturnos… Será que o que separei para doar ao outro reduziu-se? Porém vivo uma relação um pouco afastada da curva da normalidade e o meu escolhido nunca viveu a experiência da paternidade. Sei que este fato me leva a estar mais próxima dos barrigões. Que medo!

A garota do blog que citei acima nem sabe que eu existo, mas gostaria de dizer para ela que, com certeza ela é, com exceção da extensa prole, a maior conquista da vida do seu parceiro (olhe que nesta lista estão incluídos todos os títulos ganhos no futebol e os prêmios de melhor preparador físico do ano).

Conheço esta garota blogueira e seus embates com a balança, sua luta por um amor que, aos olhos dos outros, pertencia a um outro alguém, seu retorno à faculdade (como estudante), seu enorme carisma com os alunos e diversas qualidades que deixariam uma capa de Vogue Internacional babando de inveja. Esta blogueira é uma verdadeira mulher! Guerreira, disciplinada, doce, inteligente, culta, sensível, amável… Quem não quer uma mulher assim ao lado?

Quando eu crescer quero ser igualzinha a ela.