Bem me quer.
Mal te quer?
Bem te quero!

Há petálas arrancadas no caminho
Como a marcar a passagem por onde devemos
Arrancadas, pétalas não colam
Nunca mais pétalas em flor
Nunca mais flor
Nunca mais caminhos.


Só não sei como permito estar inteira mergulhada.
Como sair desta dor que não me abandona sequer um minuto? Esta sensação de aperto e mal estar que, a cada respiração, faz com que volte à minha consciência a verdade sobre ela. Este luto que, infindo, terá sua luz no fim da dor. Onde fica o túnel? Existe a luz? Terá fim a dor?
Ah, o amor! Ah, suas dores!


Palavras, textos soltos, amontoados de idéias que falam muito de mim.
O Dadaísmo do meu mundo interno e externo.


Desde muito cedo fui uma garota namoradoira (que palavra linda!).
Quando pequena era, como se grande fosse, vivia namoros tímidos, recatados mesmo. Amizades de grandes brincadeiras se transformavam em namoros de olhares de soslaio, afastamento e uma vergonha só em pensar no amor. Que lindos estes romances que faziam o coração acelerar, a face ruborizar e sequer beijávamos na boca. Mas era namoro, não duvidem!
Meu primeiro namorado… Ah, jamais esquecerei! Colega de classe na minha distante e tranquila Itagi. Como éramos amigos, as brincadeiras seguiram tranquilas e traquinas até os primeiros sinais dos hormônios. De repente, aquele branquelo e magricela da picula se transformou no meu príncipe encantado! Como o encantamento foi recíproco, como por encanto, eu e Railton (sim, o nome do príncipe branquelo e magricela) não bricávamos mais juntos. Mal nos olhávamos! Beijar na boca? Nem as mãos tínhamos coragem de dar, quiçá roças os lábios! Mas nos denominávamos NAMORADOS! E não começava de uma forma tola, ah isto não! Tinha pedido de namoro, tempo para pensar na resposta que já sabíam0s até mesmo antes da pergunta ser formulada e resposta: sim, quero namorar. À partir daí viramos namorados e, ao mesmo tempo, estranhos. Mas para a salvação de tão inocente namoro, na nossa Itagi havia “chá dançante” no final de semana. Era o momento de ficarmos um pouco juntos, dançar música lenta com braços em torno da cintura. As mãos não podiam passear pelas costas, era íntimo demais! A música je taime mon noi plus era quase proibida para a dança. Tocava sim e muitos casais se apertavam no meio do salão. Mas nós, meninas metidas a recatadas e com hormônios fervendo, corríamos para o banheiro! Penso que era medo de perdermos a compostura com aqueles gemidos musicais que imitavam um casal fazendo amor.
Eu e Railton formamos casal em duas diferentes ocasiões, ambas infantis. O tempo nos levou por caminhos bem diversos e experiências díspares e, ao mesmo tempo, similares.
Ocasionalmente o encontro e parece que não ficamos tantos anos sem nos ver. É a mesma intimidade infantil que nos fez tão amigos! Chego até a sentir saudades da minha Itagi, da minha pequena Itagi. Saudades de mim pequenina, das brincadeiras e do colégio na praça da igreja. Saudades de Railton, das missas nos domingos e dos chás dançantes que aconteciam após as missas. Saudades de Tia Lúcia, a minha querida pró e prima, de Alaíde “a coroa de Itagi”, de Osmar e suas traquinagens, das folias de boi, de Gal, Dona Maria… Saudades do “trolete”, dos banhos de represa na fazenda. Dos “cozinhados”, “trinta e um olé”, “Aparecida do norte”, ” Val pão, com manteiga vale um milhão”, “relojoariana”…
Saudades! Saudades de mim inocente, tranquila, “gaza” e cheinha.
Tudo que passa fica; fica marcado. As nossas raízes, os nossos primórdios, nossos primeiros momentos são os registros mais fortes que carregamos em nós.
Para sempre guardarei em mim minha Itagi, meu pequeno Railton e os grandes amores da minha infância.