Posts de Abril, 2009

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I Dreamed a Dream

25/04/2009

A coragem de ser e jogar na cara de todos as nossas diferenças é rara.

Vivemos num mundo padronizado, bem próximo ao “admirável mundo novo” de Huxley. Olhamos em volta e nos deparamos com exércitos de loiras de cabelos lisos. A idade, cor, raça, origem? Impossível adivinhar! Esquecemos que o que nos torna especiais é o que temos de único.

Susan Boyle tentou (e conseguiu) remexer os seus quadris para manter o mesmo ar debochado de tantos outros que ocupam aquele espaço. Tentou com aquele gesto parecer mais jovem,  portanto mais aceita, que o seu corpinho de 47 anos teimava em denunciar.

Esta é uma sociedade da embalagem, onde Priscilas só têm espaço na cama de homens endinheirados e sedentos de sexo descompromissado e Susans em aldeias interioranas, cuidando dos afazeres domésticos.

Ambas mostraram seu valor no espaço que, aparentemente, só queria padronizá-las. A tv tem programas débeis porque a sociedade que a consome é imbecil ou a sociedade é débil porque a tv é imbecil? Ou nenhuma das anteriores?

Susan Boyle emocionou com sua voz e belíssima interpretação de “I dreamed a dream”, Priscila surpreendeu com sua mente organizada e enorme coração.

Susan Boyle queria apenas mostrar seu estupendo talento vocal. A tv queria apenas mostar as grossas pernas e o enorme bumbum de Priscila. Susan conseguiu, Priscila conseguiu muito mais do que a tv se propôs! Priscila foi mais que formas arrendondadas e fartas.

Susan foi rápida, em minutos mostrou aos britânicos (e ao mundo) que, antes de julgá-la, fechassem os olhos e apenas a escutassem. Priscila precisou de mais tempo para mostrar o quanto de bom escondia embaixo da bela estampa.

Quanto de nós fica escondido porque o mundo só quer ver o que lhe interessa? Narciso acha feio o que não é espelho? Acho que a maioria de nós acredita que sim e tenta se tornar espelho para o mundo: sou o que você espera que eu seja. Passamos horas torrando em fornos como aqueles galetos que giram nas conhecidas “televisão de cachorro”. E saímos dali realmente parecidas com aqueles tenros galetos. Ou melhor, nada tenras, porque precisamos ser esguias e mostrar ao mundo que controlamos nossos impulsos “primitivos”. Se o nosso prato contiver mais que alface e peixe grelhado, mostraremos a todos que escorregamos na tentação e seremos penalizadas com muitos centímetros a mais nas nossas cinturas e não caberemos em nenhum jeans das monumentais vitines das lojas dos shoppings centers.

Susan caiu em muitas tentações, seu corpo a desnuda.

Como Susan ainda pode acreditar num sonho? Sonhar um sonho? Ela não é mais uma jovem! Apenas aos jovens é dado o fantástico mundo dos sonhos! Mas Susan sonhou e ousou esfregar na cara do mundo que além de “coroa”, gordinha, papuda e nada “fashion”, tem uma voz e sensibilidade para interpretação musical que, pasmem, deixou o mundo de boca aberta e de pé! O mundo aplaude Susan Boyle de pé!

Susan não fez nada além do que se propôs: ela queria cantar como Elaine Page e, magistralmente, entoou seu sonho. Mas as  pessoas entraram em um encatamento mágico, elas não esperavam por aquilo. Nada se espera de uma “coroa”, gordinha, papuda e nada “fashion”. O mundo reservado para Susan são as aldeias interioranas, onde ela deveraria, diariamente, cumprir seus afazeres domésticos.

As lindas Priscilas e as desajeitadas Susans sofrem com o mesmo mal.

Não acho que destes episódios necessitamos tirar alguma “lição de moral”. Não partirei para este lado da moral pública e grupal. Acho que necessitamos apenas seu únicos. Carecemos apenas ser nós mesmos!

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Endless Love

20/04/2009

Minha era como ele a chamava. Tão dele! Queria-a só para si.

Ele era jovem, tímido, inteligente e virgem.

Sua Minha era jovem, mas não tanto quanto ele, e totalmente entregue à vida e aos prazeres por ela proporcionados.

Uma jovial e reluzente estudante de arquitetura. A mais bela da sala, a mais linda de toda a faculdade!

A história deles foi sendo construída lentamente. Minha entrara na sua vida de forma tão inesperada que, no início, ele se esforçou para dela nada esperar. Muito cheia de vida e energia aquela iluminada e roliça garota.

Mas ela foi se chegando de mansinho e quebrando a sua timidez. Minha era direta e deixava-o rubro muitas vezes. Mas fazia-o de forma tão encantadora que ele apenas admirava!

Um dia, Minha, ainda não totalmente dele, acordou-o com gritos e balanços felizes; ela trazia uma notícia muito aguardada: ele agora era universitário do curso de Engenharia Química da Universidade Federal da Bahia! Sua Minha ali, debruçada sobre ele, olhos quase saltando de tão satisfeitos, falava numa velocidade  que seu cérebro sonolento não conseguia captar. Mas fingia entender e ia admirando aquela beleza que jorrava, borbulhava, transbordava da sua Minha. Enfim entendeu e se entregou àquela onda de alegria. Não sabia se sua felicidade era maior porque havia vencido uma difícil batalha ou porque sua Minha era a mensageira da boa notícia.

A vida foi seguindo e o jovem enamorado foi se enchendo de paixão pela alegre Minha. Sua Minha vivia dentro e acima desle. Sim, ela era sua vizinha do andar imediatamente superior. Amiga de todos naquele espaço, possuía trânsito livre na sua casa e no seu coração. Minha foi ocupando espaços e trouxe vida e alegria ao seu dia-a-dia.

Aquele primeiro amor desvirginou-o. Seu corpo e coração foram entregues àquela vibrante aspirante a arquiteta.

Às vezes era totalmente dele, outras escorregava e ia viver amores nos quais, com certeza, ela não acreditava. Mas, certamente,  precisava fugir dele e daquele amor sem fim! Mas não fazia-o de forma consciente; Minha, provavelmente, não se deixava dar conta do tamanho daquele amor.

Entre idas, vindas, brigas e emoções, passaram-se os anos.

Minha abrigou seu inquieto e inseguro coração em ninho que julgava mais firme. Que boba a Minha dele! O que existe de mais firme que um amor sem fim?

Ele jamais perdoou-a por não ter participado da coroação do seu sucesso. Ela, que havia sido mensageira da primeira vitória, não participou do ápice da coroação.

Não deixou-a falar, afastou-a da sua vida e foi viver muito longe da sua Minha e do seu imenso amor.

Muito se passou…

“Amores” foram construídos e destruídos e nunca mais olhou outra vez nos olhos do seu amor.

Hoje, a quem pertencerá a sua Minha?

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Ismália, torres e loucos.

19/04/2009

Sempre tive fascínio por loucos e por contos de fadas. Um dia li um poema que jamais minhas retinas apagarão:

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

Este é o poema Ismália de Alphonsus de Guimaraens.

Você pode perguntar: onde está o conto de fadas?

Na torre; aquela que abriga princesas à espera do seu amor eterno. Pelo menos até o “foram felizes para sempre”.

Tenho um plano que tentarei por em prática ainda este ano: quero fazer uma série de fotografias com torres e loucos.

Ismália está gravado em mim!

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E o vento… Levará?

08/04/2009

Muito escrevi endereçado a você. Declarações de amor e guerra que nunca chegaram ao destino, ou melhor, sequer saíram da origem.

Será que você sabe tudo que eu tinha para lhe dizer? Certamente não. Até eu passei muito tempo sem sabê-las.

Hoje retorno o olhar e sinto que as coisas não ditas ficaram arquivadas em pendências. Preciso limpar as gavetas, as caixas de entrada e saída.

Aos poucos direi-as. Endereçarei ao vento; ele se incumbirá de levá-las à você.

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Existo, logo vivo.

08/04/2009

Eu não vim a este mundo a passeio. Eu não tenho o colorido dos dias de verão. Minhas águas não são plácidas e não navegam em mim barquinhos tranquilos.

Nasci para a guerra e preparei-me, durante toda a vida, para dias de tormenta.

A liberdade das feiras-livres e a alegria despreocupada das festas de largo não fazem parte do meu repertório. Meu olhar não tem a pureza do poeta ou do artista plástico.

Eu enxergo a dureza das horas e o cheiro forte da urina nas ruas de carnaval.

Minhas fotos são fechadas e cruas e o azul límpido de céu está apenas como prisioneiro nelas.

Tenho fascínio por loucos e a triste certeza que nunca serei um deles. Minha lucidez jamais me deixará ultrapassar a tênue linha que me separa da loucura.

Adoro contos de fadas e castelos com torres. Tenho certeza que em todas elas estão aprisionadas princesas etéreas e sonhadoras, que esperam por príncipes que nunca virão.

Não vivo em vã espera e consigo enxergar que o rei está nu.

Meus sapos jamais serão beijados e nunca virarão príncipes. Não acredito em “foram felizes para sempre”.

Minha viagem é de negócio e não tenho tempo para diversão e desilusão.

Na minha crua dureza sou límpida e nua, não vivo personagens e não represento emoções. Rio e choro porque sinto nascer bem dentro de mim as lágrimas ou a vontade de gargalhar.

Sou firme e segura, confiável e companheira.

Quem gostar venha comigo.

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Ame e dê vexame!

08/04/2009

Hoje eu recebi por e-mail uma mensagem:

 “Ame profunda e apaixonadamente.

Você pode sair ferido, mas essa é a única maneira de viver a vida completamente.”

 A minha cara!

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O Maior Amor do Mundo

08/04/2009

Ele chegou cedo e ela era muito jovem para percebê-lo. Tão linda, tão frágil, tão jovem! Necessitava visceralmente dele e sequer se dava conta. Não o olhou nos olhos, aliás, não notou a sua presença.

Vinha de uma perda recente e não acreditava que ele chegaria algum dia. Será que acreditava na sua existência?

Mas… Será que alguém é tão jovem que não reconheça o amor? Claro que não! Ela era, não apenas jovem, cética! Sim, muito jovem, muito linda, muito só e cética!

Ele veio embalado num pacote pequeno, bonito e de riso franco. Esta embalagem acompanhou-a parte da sua vida e ainda a acompanha, agora apenas em suas mais doces recordações.

Minho era como ela o chamava. Tão jovem, tão puro, tão virgem! Tão dela, totalmente impregnado em seu ser.

Mas ela era cética, não se esqueça.

 Foi num festivo e ensolarado dia interiorano que ela o conheceu: branquinho, baixinho, dentes grandes e riso enorme. Era ele o primo que ela tanto ouvira falar? Sim, era ele. Ele pareceu-lhe tão normal, tão comum! Mas por que nunca saiu da sua memória a primeira vez que o viu? Se foi tão comum, por que pode agora fechar os olhos e enxergar o mesmo rosto de remotos anos 80? Que menina boba! Não percebeu! Demorou décadas para enxergar que ali estava o amor da sua vida. 

Passaram dias carnavalescos como amigos. Existia outro e ela se dizia apaixonada.

Ao término daquele carnaval interiorano, voltaram juntos e sozinhos. Ela dormiu em seu ombro e ele cuidou dela. Nunca cuidaram dela daquela forma, com tamanho aconchego.

Ao regressarem já não eram mais os mesmos. O flerte prosseguia gostoso e crescente. Mas existia outro e ela se dizia apaixonada.

Um dia ela se tornou mulher nos braços do outro, que pensava apaixonada. Falou para ele. Por que falou? Porque já não podia mais viver sem ele e sem o seu olhar. Deve ter doído nele, deve ter doído demais! Mas ele se fez amigo e forte e prosseguiram quase amigos, quase amores.

O flerte cresceu e na contramão do outro, aquele que ela se dizia apaixonada, Minho tomou o seu lugar. Mas não foi assim tão fácil e simples. Ela se sentia apaixonada e fechou seu coração para o amor. O amor que estava ali, ao seu lado.

Quando estava com Minho sentia vontade que o mundo parasse. Quando não estava com ele, fechava os olhos e sentia uma imensa alegria invadir sua alma. Era feliz apenas porque Minho existia e era dela e ela dele. Mas, mesmo assim, não acreditou que fosse amor.

Viveram algum tempo juntos. Tempos felizes demais! Ela, muito jovem, imaginava que assim era vida. O normal era ser feliz, portanto aquele sentimento não era originário do amor. Que boba!

Queria-o demais, mais tinha-o tão para si que não se dava conta do quanto ele era importante, fundamental!

Minho encheu os seus dias de alegria e o seu corpo de vida. Vida que não prosseguiu.

Deixou-o escorrer pela vida.

Foi viver outros amores. Pseudo amores.

Depois de muito tentar e pouco sentir, foi invadida, tomada por uma certeza: ela o amava profundamente!

Nunca mais sentiu aquela paz que sentia ao lado dele. Nunca mais desejou um homem como desejou o seu Minho. E a tal felicidade, que ela achava que era ingrediente da vida, minguou. Nenhum homem a fez sentir o que seu Minho, apenas com um olhar, fazia.

Minho agora está guardado na sua caixinha verde amarelada (ou amarela esverdeada?) junto com as demais recordações da sua vida. Mas ela sabe que ele está totalmente apartado de todas as outras. Minho é único!

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E vejo cores em você

05/04/2009

Se o mundo é preto ou rosa

Verde limão furtacor

Se vida vivida só vale

Com cor, dor e amor

Vale viver caminhando

Vale viver enxergando

E vale tropeçando

Se só pra frente nunca se chega

Se de atalhos é feita a vida

Vida rosa mar de flores

Mas vale tropeçar

E nos tropreços dar voltas, refazer

Pegar atalhos, caminhar em círculos

Escolher

Caminhos a percorrer

E desistir

Mudar de direção

e caminhar

Se viver vale pelos tons das horas

enxergue as horas e colha os tons

pinte o seu mundo

interne as suas cores

leve dentro de você o universo

todos os tons

Sons

e o caminho.

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Amada ou Amante?

05/04/2009

 

Se a maior e melhor coisa do mundo é o amor e se ele é o grande (talvez único) agente transformador, o que é melhor: ser o amante ou o amado?

À primeira vista nos sentimos mais confortáveis na posição do amado. É claro que todos adoramos ser admirados, queridos e mimados. Ah, que delícia ser amado! A irrecusável posição de Zeus no Olimpo do seu amante!

O amante, por outro lado, palpita por seu amado. O amante vibra, sente. É do amante as mais saborosas sensações. Aquelas que fazem com que nos sintamos vivos e que viver vale a pena!

O amado espera, o amante busca.

É do amante a inciativa, são dele as idéias. Ao amante cabe todas as cores da paleta traduzidas em seus olhos apaixonados. A lua cheia tão redonda e brilhante, o por do sol com suas cores alaranjadas e intraduzíveis. É do amante o desejo de correr pela praia e dançar ao luar. Só amantes acordam na madrugada e acariciam seu corpo imaginando mãos amadas o percorrendo.

Ao amado; a espera. Não beija, retribui a ele. Não idealiza, apenas é idealizado. O amado não pulsa, não é dado a ele a formidável sensação de existir e observar as nuances do mundo e as cores das horas. O amado enxerga o mundo com os olhos duros da razão. Uma música não o leva a sonhar, não o conduz a estágios superiores de consciência.

O amante é lotado de desejos, o amado é “cheio de vontade”. O amado é narcísico, o amante é Afrodite, Ares, Hefesto, Eros, Dionísio… Ao amante tudo é dado, do riso às lágrimas, o amante é dono de todo o sentimento do mundo. Ao amado é dado o amor. Mas não se engane com tão precioso bem: o amado tem apenas o amor doado, sentido pelo outro. O amado não possui a mais sublime forma de admirar e enxergar: o amado não tem dentro dele o amor. Não vê com olhos do amor, não vive embalado pelo prazer e dor do amor.

Só aos que amam é revelada a sabedoria da existência. Só os amantes possuem a grandeza e têm dentro de si todo o universo.

E também só os amantes são presenteados com a dor de perder todo o universo quando perdem o seu amor. A tormenta do luto, a dor da falta. A grandeza de existir e sentir.

Sinto, logo existo!

Como questiona Caetano: “existirmos : a aque será que se destina?”. Eu respondo: se destina ao amor, ao sentimento do amor.

Existir se destina a amar.

Agora responda: amada ou amante?

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Mal me quer?

02/04/2009

Bem me quer

Mal me quer?

Bem me quero

Bem te quero.