Posts de Junho, 2009

h1

SER OU NÃO SER

27/06/2009

 Hoje logo cedo, no auge das minhas questões absolutas sobre felicidade e farmacologia, me cai nas mãos Adélia Prado:

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito….”

Busco a raiz desta alegria que, como piscar de vaga-lumes preguiçosos, já passou  por minha vida. Os vaga-lumes andam cada vez mais preguiçosos…

O que falta em mim? Agentes químicos?

O que sobra em mim? Pensamentos?

Busco encher meu tempo para não notar que sobra-me muito!

Sou uma condenada à contemplação e o mundo não é nada belo! Não há beleza neste pedaço contemplado!

Resta conformar-me; não fui diagramada para a felicidade.

h1

Minha Amiga Gal

21/06/2009

O nome não é comum: Gracil. O encontro idem.

A primeira vez que vi Gal foi numa viagem entre Jequié e Itagi. Meu pai fazia uma das suas visitas semanais à tórrida Jequié e Gal voltou conosco de carona. Eu era criança e levava comigo pequenos brinquedos que apertava em mãozinhas gorduchas. Como habitualmente fazia, cochilei durante a viagem, mas não soltei os pequenos brinquedos. Convidei Gal para brincar comigo e com minha irmão Silvana na nossa casa no dia seguinte.

Estávamos as duas no quintal de casa  envolvida em nossas brincadeiras quando Gal chegou. Rapidamente a convidamos para se juntar a nós naquela estranha brincadeira: estávamos com fogueiras acesas, panelinhas de barro fumegantes e dento delas… Giz! Sim, estávamos cozinhando giz. Não sei se era uma experiência científica ou apenas traquinagens infantis. Eram tantas!

À partir daí Gal passou a ser minha amiga inseparável! Eu e Silvana éramos por demais molecas e Gal uma garota tímida e com alguns medos (muitos). Mas ela se aventurava nas maiores loucuras comigo, confiava muito em mim.

Lembro-me como hoje da primeira vez que Gal saiu à noite. Eu e Silvana fomos à casa dela e convencemos D. Maria (a querida, amorosa, delicada mãe de Gal) a deixar sua filha sair conosco para um parque que tinha chegado na cidade e depois dormir na nossa casa. D. Maria deixou e fomos exultantes à nossa primeira aventura noturna.

O parque era alegre, cheio de luzes e músicas. Tinha jogos, brinquedos, dança de bonecos e uma estranha atração: “A Mulher que vira bicho”, também conhecida em outras cidades interioranas como “Monga, a mulher macaco”. Compramos o nosso ingresso e nos embrenhamos naquele espaço pequeno e escuro. Estávamos apavoradas, mas aguentamos firmes os gritos e caretas de Monga. Um verdadeiro terror nos invadia quando aquela mulher dentro da jaula se transformava num monstro peludo. O medo era tanto que esquecemos de Gal e da sua virginal experiência. Depois ficamos sabendo; Gal se apavorou e tentou sair do cubículo mas foi impedida pelo funcionário do parque. A luz vinda de fora poderia destruir totalmente aquela montagem terrível! O pior de tudo… No final, como num passe de mágica, Monga sumiu da jaula e apareceu no fundo da platéia, ao lado de Gal! Coitada de Gal! Apavorada, ficou muito tempo traumatizada com a experiência.

As traquinagens que vivemos juntas encheria papéis e mais papéis! Foram brincadeiras, bicicletas, passeios à cavalo, banhos de represa, “cozinhados”, viagens, danças, namoros, risos e choros.

Gal hoje mora em Jequié com sua linda família: D. Maria (que parece ter ficado guardada em formol todos estes anos), Neuza (uma pessoa mais do que querida), Ademar (seu irmão que parece sisudo mas é um anjo), Tupete (que fala parecendo criança) e mais sua cunhada Vilma e todos os sobrinhos. São cheios de amigos e têm sempre a casa cheia: de gente, de vida e de alegria.

Sinto muitas saudades daquele tempo e uma certa dor de não estarmos convivendo de maneira mais próxima. Adoraria continuar fazendo parte daquela família unida e alegre. Família amiga! Mas tenho certeza que a qualquer momento que chegar naquela casa, que reencontrar estas pessoas, sentirei como se nunca tivesse ficado longe. Os laços são fortes e honestos. Amo estas pessoas e elas sempre farão parte da minha vida.

Tudo que conquistei desde então não tem o tamanho desta amizade e deste amor. Preciso voltar para este ninho querido, passar uns dias naquela casa aconchegante, comer as delícias de D. Maria, conversar e dar risada. Preciso voltar às minhas origens, reencontrar e estreitar outra vez os laços com pessoas tão queridas. Viver esta vida que é a minha verdadeira fonte de felicdade.

Para Gal, minha primeira e amada amiga e toda a sua família, o meu sincero reconhecimento, gratidão e amor.

h1

Glorioso Santo Antônio!

14/06/2009

antonio_4

 

Sempre digo que Santo Antônio é um santo diligente. Imagino-o como funcionário de uma empresa, lotado de trabalho. São solicitações vindo de todos os lados e ameaçando acumular e abarrotar sua mesa.  Mas como diligente que é, esta importante figura da corte celestial não deixa trabalho acumulando em sua mesa: chegou uma solicitação ele rapidamente trata de resolvê-la. Portanto, muito cuidado com os pedidos a Santo Antônio. “Santo Antônio, quero um marido”. Eis que cai “em seus braços” um homem lá não muito indicado para você, com características nunca desejadas. Mas pediu, Santo Antônio resolveu.

Dou um conselho: faça seu pedido com o máximo de detalhes possível. Pense em tudo que é importante para você e coloque na sua lista de pedidos. Sabe aquelas coisas com as quais não convive? E aquelas sem as quais não convive? Jamais esqueça de adicioná-las! Altura, peso, cor, idade… É importante? Coloque! Mas atente-se para o que realmente a fará feliz.

Monte o seu homem ideal e peça-o a Santo Antônio. Mas lembre-se, pode ser que o pobre santinho, aquela imagenzinha que um dia você “surrupiou” numa trezena na casa de uma amiga, passe toda a sua vida mergulhado em um copo. Tadinho do pobre santo! Mas não abra mão, antes só que mal acompanhado.

Falam por aí que não existe homem perfeito, mas quem está buscando um? Queremos sim um homem perfeito para nós, feito sob medida para nossos defeitos e qualidades. Um imperfeito que se encaixe em nós.

Glorioso Santo Antônio, me arranje um marido do tamanho do meu sonho!

h1

A Volta da Xanduzinha

14/06/2009

Hoje, por um motivo não tão feliz, lembrei de uma música que gosto muito. O título é “A Volta da Xanduzinha”, uma música de Tom Zé que conheci na voz da maravilhosa Jussara Silveira.

“Sofrimento não me assusta
Mariá
É meu vizinho de boas tardes
Mariá

Conhecer a ingratidão

Isso não
Isso não
Isso não
Quando ela tinha nada
Mariá
Eu abri a casa toda
Mariá
Quando eu precisei dela

Mariô
Mariô
Mariô

Foi, quem sabe, a vaidade
ou os oito boi zebu
ou a casa com varanda
dando pro norte e pro sul

Fiz a caminha dela
No manacá
O sapatinho dela
no manacá
E a roupinha dela
No manacá
Cadê agora?
Mana, maninha, como é triste recordar

A beleza do seu riso
É demais pra se lembrar
O vestido dos seus olhos
Se vestiu pra descansar.”

Eu sempre tenho em mente que a vida da voltas, muitas voltas. Tenho muito cuidado com o outro nos momentos  em que, por conta destas voltas, estou “por cima”. Não que eu tenha medo das próximas voltas, mas é que eu sempre, desde jovem demais, me preocupei muito com o sentimento do outro.

Abro a “minha casa”, a minha guarda, mas não posso ficar esperando que o outro faça igual. Nascemos sozinhos e somos sozinhos, devemos ter consciência disto! Por mais que o outro comemore, as nossas vitórias são nossas. As nossas derrotas e dores também. Sei que sempre esperamos que o outro nos olhe e sinta a nossa dor, mas esta espera é vã!

Mas não deixarei de ser gente por causa disso, não me fecharei para o mundo porque o outro não tem cuidado comigo nos meus momentos de fragilidade. Se dói, choro só!

Mas continuarei esperando que um dia alguém sinta a minha dor. Que me aconchegue e me deixe chorar em seu ombro. Que entenda o meu choro e não me ache menor por isso.

Espero que um dia a Xanduzinha volte.

h1

A Minha que não existe mais.

09/06/2009

O meu Minho é o que de melhor há em mim.

Um amor amigo, amante. Gigante!

O meu Minho encontrou-me pura, oxalá me reencontrasse agora, madura.

Queria tê-lo todos os momentos, amá-lo a cada instante.

Quero a delicadeza deste amor, a despreocupação de outrora.

Quero reviver a alegria e leveza que haviam em mim quando Minho era real e me apertava em seus braços.

Quero Minha de volta.

h1

Existirmos, a que será que se destina?

06/06/2009

Prever, acumular, precaver?

E a fluidez das relações, a confiança no outro, o olho no olho?

Valemos o que? Quanto somos ou quanto temos?

Quão pequenos parecemos diante dos gigantes que tudo podem!

Quão gigantes somos ante aqueles que menos têm.

Que mundo é este? Haverá paradeiro?

E os pequeninos, massacrados, humilhados… Até quando?

Que dor olhar em volta! Que dor olhar para nós mesmos!

Que dor enxergar!