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Do Cóxis Até O Pescoço.

03/07/2009

Beto Guedes canta: “dói de tanto medir a distância, saber que não vou te tocar além da lembrança…”

A saudade aumenta com o passar das horas e parece atingir o ápice no ocaso.

Quando o sol se põe e leva com ele as luzes que enfeitam o nosso dia e ludibriam o nosso olhar, temos que ficar mais conscientes de nós. Falta luz ao redor e é chegada a hora de mirarmos o facho para dentro de nós. Nesta hora vasculhamos as lembranças e, muitas vezes, mexemos naquela tal caixinha de pandora. Descobrimos lugares guardados, pessoas escondidas, palavras não ditas, dores não vividas e nos vestimos com o luto da noite.

O meu mundo fica maior à noite. Tudo parece crescer quando falta luz. É que cresce meu olhar interno e tomo consciência de tudo que sou, que deixei de ser e que nunca serei.

Deparo-me com o vazio da existência, a dor de existir.

Crescer dói e não é ósseo.

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