Este final de semana, como costumo fazer frequentemente, resolvi assistir alguns filmes que estão em cartaz no Circuito Saladearte. Gostaria de falar sobre dois: “Do Começo Ao Fim” e “Algo Que Você Precisa Saber”.
Do primeiro, que conta a história de um amor homossexual entre dois irmãos, não esperava muito. Havia lido críticas negativas que falavam sobre a falta de angústia no filme. Como, reconheço, tenho interesse por filmes densos e angustiados e o tema merece profundidade e muita angústia, coloquei-o na categoria dos “filmes menores” que não exigem expectativa nem doação. Me enganei! O filme realmente não tem muita angústia apesar de tratar de temas polêmicos, tema tabu! Primeiro a homossexualidade, hoje muito mais aceita e respeitada, mas ainda não completamente incorporada às famílias e seus festejos e a uma sociedade que finge e tenta ignorar a diversidade de gêneros. Segundo, do incesto. Tema polêmico? Não, tema tabu!
Mas entendi porque a leveza. O diretor queria falar de amor, um amor enorme, do começo ao fim. Um amor que não vê barreiras impostas e sequer respeita tabus máximos! Se houvesse a angústia do incesto, certamente este tema engoliria a leveza e beleza de um amor pleno!
Este filme fala também de compreensão e liberdade, esta mesma, que estamos todos condenados. Do livre arbítrio que a família pode nos ensinar a exercitar diariamente. E fala de como o amor e a compreensão dos mais próximos pode tornar nossas escolhas muito mais leves e digeríveis. A família muitas vezes decreta-nos sentenças que passamos a vida cumprindo. E o pior; tudo isso feito, como dizem, em nome do amor. Por quererem “o melhor para nós”.
Quem pode saber o que é melhor para o outro? Nascemos e morreremos sós. Sós e com nossas escolhas, acertadas e equivocadas. Melhor que acertemos!
Vale a pena assistir. Apesar de sabermos pouco provável na realidade, o filme ensina a olhar o outro com parcimônia. Ensina também que existem amores que, apesar de desviados aos nossos conceitos, podem durar do início ao fim das nossas vidas.
O segundo, francês, é estranho à filmografia deste (daquele) país. Como disse um amigo: uma novela! Adorei! São muitas coincidências que o diretor retrata! Mas para que filmar vidas banais? Do cinema francês trás os excelentes atores, o diálogo inteligente e uma ironia requintada! Os franceses não acreditas nos bons, mas afinal, quem, conhecendo um pouco desta vida, pode acreditar nesta falácia?
A família deste filme é falsa e parece segurar-se numa linha tênue, o dinheiro vai construindo e costurando as relações. Mas quando algo é dito, quando o segredo da família é exposto, tudo parece transformar-se. Trouxe comigo a lição de que a verdade pode doer, mas constrói. Parece piegas né? Este filme é nada piegas, tampouco minha conclusão.
Assistam e tirem as suas!
É o cinema me ensinando a enxergar o mundo real.





Posso fazer um paralelo desta mensagem com o que vivi, só que ao inverso.
Falando em Arnaldo Antunes, sábado último fui ao show dele. SHOW!!!