Posts de Novembro, 2009

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O prazer em ver

30/11/2009

Este final de semana, como costumo fazer frequentemente, resolvi assistir alguns filmes que estão em cartaz no Circuito Saladearte. Gostaria de falar sobre dois: “Do Começo Ao Fim” e “Algo Que Você Precisa Saber”.

Do primeiro, que conta a história de um amor homossexual entre dois irmãos, não esperava muito. Havia lido críticas negativas que falavam sobre a falta de angústia no filme. Como, reconheço, tenho interesse por filmes densos e angustiados e o tema merece profundidade e muita angústia, coloquei-o na categoria dos “filmes menores” que não exigem expectativa nem doação. Me enganei! O filme realmente não tem muita angústia apesar de tratar de temas polêmicos, tema tabu! Primeiro a homossexualidade, hoje muito mais aceita e respeitada, mas ainda não completamente incorporada às famílias e seus festejos e a uma sociedade que finge e tenta ignorar a diversidade de gêneros. Segundo, do incesto. Tema polêmico? Não, tema tabu!

Mas entendi porque a leveza. O diretor queria falar de amor, um amor enorme, do começo ao fim. Um amor que não vê barreiras impostas e sequer respeita tabus máximos! Se houvesse a angústia do incesto, certamente este tema engoliria a leveza e beleza de um amor pleno!

Este filme fala também de compreensão e liberdade, esta mesma, que estamos todos condenados.  Do livre arbítrio que a família pode nos ensinar a exercitar diariamente. E fala de como o amor e a compreensão dos mais próximos pode tornar nossas escolhas muito mais leves e digeríveis. A família muitas vezes decreta-nos sentenças que passamos a vida cumprindo. E o pior; tudo isso feito, como dizem, em nome do amor. Por quererem “o melhor para nós”.

Quem pode saber o que é melhor para o outro? Nascemos e morreremos sós. Sós e com nossas escolhas, acertadas e equivocadas. Melhor que acertemos!

Vale a pena assistir. Apesar de sabermos pouco provável na realidade, o filme ensina a olhar o outro com parcimônia. Ensina também que existem amores que, apesar de desviados aos nossos conceitos,  podem durar do início ao fim das nossas vidas.

O segundo, francês, é estranho à filmografia deste (daquele) país. Como disse um amigo: uma novela! Adorei! São muitas coincidências que o diretor retrata! Mas para que filmar vidas banais? Do cinema francês trás os excelentes atores, o diálogo inteligente e uma ironia requintada! Os franceses não acreditas nos bons, mas afinal, quem, conhecendo um pouco desta vida, pode acreditar nesta falácia?

A família deste filme é falsa e parece segurar-se numa linha tênue, o dinheiro vai construindo e costurando as relações. Mas quando algo é dito, quando o segredo da família é exposto, tudo parece transformar-se. Trouxe comigo a lição de que a verdade pode doer, mas constrói. Parece piegas né? Este filme é nada piegas, tampouco minha conclusão.

Assistam e tirem as suas!

É o cinema me ensinando a enxergar o mundo real.

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O SER E O NADA

24/11/2009

Não entendo por que tentamos trazer para o real a matéria dos sonhos, ou mesmo dos devaneios.

Existem paixões que só devem ser sonhadas, o real não a traduziria. Existem sonhos que não caberiam na vida acordada.

Mas não somos só matéria, algo me escapa no momento da definição do ser. Algo que não vejo, não consigo provar, portanto não entendo e busco não acreditar.

Digo que somos energia aprisionada dentro de um corpo, assim como a energia das pilhas alcalinas. A morte é a liberação desta energia, que passará a tomar parte do todo. Não seremos mais um ser pensante, não seremos mais o que conhecemos como ser humano.

Ouvi um monge budista falar sobre uma garrafa cheia de água que segue boiando no oceano. A garrafa tem medo de partir-se. Ou o medo seria da água que está dento da garrafa? Assim nos sentimos em relação à morte, não queremos ser gotas a mais neste oceano, queremos a unicidade da garrafa, a barreira do corpo que aprisiona nossa energia e nos constitui como ser. A quebra da garrafa é equivalente à morte do corpo: a água flui para o oceano, passando a fazer parte daquele todo. Com a morte do corpo a energia liberada se juntará à energia que existe no cosmos e seremos parte deste todo cósmico.

Este é o meu Deus! Um Deus que nada tem de único e especial, que nada criou e nada acabará! Meu Deus é ciência e energia. Meu Deus é lógica e realidade! Sinto-me só sem este Deus que quase todos têm. Sinto-me desamparada sem esta fé que acalma e abranda as dores.

Sou só questionamento: para que serve tudo isto? E sabe o que me respondo? Para nada! Somos apenas composições químicas agrupadas em forma de ser humano, que nomeamos assim. Acabaremos como tudo acaba. Nascemos com prazo de validade e quando ele se extinguir nada mais seremos. Já imaginou a eternidade? Ser nada por toda a eternidade? É muito mais fácil acreditar em Deus!

Mas que pena, nunca trilhei o caminho mais fácil!

Um pouco de Fernando Pessoa para poetizar a dura realidade:

“Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a ação humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.”

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Podres Poderes

21/11/2009

A vida não é tão dura quanto sugere a razão. Nada pode ser avaliado apenas sob a ótica cartesiana do racional. E sabe por que? Porque sentimentos muitas vezes podem sobrepor o que é lógico e certo.

Quem fala isto é uma pessoa totalmente matemática e cartesiana. Uma pessoa que baseia sua vida no que é certo e irrefutável. Aceita apenas a verdade e nega tudo que não pode ser provado.

Alguém que, como Descartes, o filósofo que publicou o  “Discurso sobre o Método para Bem Conduzir a Razão a Buscar a Verdade Através da Ciência”, só tem olhos para o real.

Mas esta pessoa acorda um dia e pensa: há muito mais entre o céu e a terra do que acredita nossa hermética lógica.

Como filosofa Caetano: “será que apenas os hermetismos nos salvarão destas trevas?”.

 

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Na alegria e na tristeza

18/11/2009

Hoje acordei com Fernando,  na pessoa de Alberto Caeiro…

“… Submeto-me e sinto-me quase alegre,

Quase alegre como quem se cansa de estar triste.”

E penso que a felicidade é um produto limitado e escasso e que para tê-la é preciso arrebatar de alguém.

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FUNDO DO POÇO

14/11/2009

Fundo do Poço

A melhor maneira de voltar à tona é bater com os pés lá no fundo.

Impulsione, sobreviva!

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Milagres Sim

11/11/2009

milagre

O que espera de mim?

 

O Impossível?!?!

 

Já estou fazendo.

 

Milagre?!?!

 

Aguarde um pouco mais.

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PARALELO

06/11/2009

PEGADAS NA AREIA

Uma noite eu tive um sonho:
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor, e através do céu, passavam cenas da minha vida. Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia; Um era meu e o outro era do Senhor. Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes, no caminho da vida, havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isto aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso aborreceu-me.

Então perguntei ao Senhor:
- Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvesse Te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o meu caminho, mas notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que mais necessitava de Ti, Tu me deixastes…

O Senhor respondeu:
- Meu precioso filho, eu te amo, e jamais te deixaria nas horas de tua prova e de teu sofrimento. Quando vistes na areia apenas um par de pegadas, foi exatamente aí, que eu te carreguei nos Braços.


pegadas na areiaPosso fazer um paralelo desta mensagem com o que vivi, só que ao inverso.

Durante mais de três anos imaginei que alguém caminhava ao meu lado, podia até enxergar suas pegadas.

Hoje, olhando para trás, observo que foi tudo uma ilusão, não há pegadas de outra pessoa, apenas as minhas. Não, não foi o vento que apagou-as. A minha ilusão e o meu desejo criou-as. Durante todo este tempo caminhei sozinha, embalada pela ilusão de que havia alguém ao meu lado.

Hoje recordo deste tempo e cenas passam como um filme na minha cabeça. Vou observando todos os momentos que, embalada pela doce ilusão de ter alguém ao meu lado, criei falsas pegadas na areia.

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JUDIARIA

03/11/2009

Vocês conhecem judiaria? Falo não só da palavra, substantivo feminino que significa, entre outras coisas, ato de maltratar alguém, física ou moralmente; judiação, mas também da música de Lupcínio Rodrigues que foi regravada pelo espetacular e talentosíssimo Arnaldo Antunes:

“Agora você vai ouvir aquilo que merece
As coisas ficam muito boas quando a gente esquece
Mas acontece que eu não esqueci a sua covardia
A sua ingratidão
A judiaria que você um dia
Fez pro coitadinho do meu coração
Essas palavras que eu estou lhe falando
Têm uma verdade pura, nua e crua
Eu estou lhe mostrando a porta da rua
Pra que vocês saia sem eu lhe bater
Já chega o tempo que eu fiquei sozinho
Que eu fiquei sofrendo, que eu fiquei chorando
Agora quando eu estou melhorando
Você me aparece pra me aborrecer”

Arnaldo AntunesFalando em Arnaldo Antunes, sábado último fui ao show dele. SHOW!!!

O novo disco de Arnaldo, Iê Iê Iê, é puro rock anos 50, uma delícia dançante. Mas, vindo deste concretista, mesmo com pretensão de simplificar, a poesia é o ponto alto.

O show mostra um Arnaldo vigoroso, com um toque quase juvenil, irreverente (como sempre) e poeta de mão cheia!

Dentre as novidades, a que mais me agradou foi:

A Casa é Sua

Não me falta cadeira
Não me falta sofá
Só falta você sentada na sala
Só falta você estar

Não me falta parede
E nela uma porta pra você entrar
Não me falta tapete
Só falta o seu pé descalço pra pisar

Não me falta cama
Só falta você deitar
Não me falta o sol da manhã
Só falta você acordar

Pras janelas se abrirem pra mim
E o vento brincar no quintal
Embalando as flores do jardim
Balançando as cores no varal

A casa é sua
Por que não chega logo?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora

A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio

Não me falta banheiro, quarto
Abajur, sala de jantar
Não me falta cozinha
Só falta a campainha tocar

Não me falta cachorro
Uivando só porque você não está
Parece até que está pedindo socorro
Como tudo aqui nesse lugar

Não me falta casa
Só falta ela ser um lar
Não me falta o tempo que passa
Só não dá mais para tanto esperar

Para os pássaros voltarem a cantar
E a nuvem desenhar um coração flechado
Para o chão voltar a se deitar
E a chuva batucar no telhado

A casa é sua
Por que não chega logo?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora

A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio

Sei que tem muito do meu momento nesta escolha, mas com certeza esta balada agradará a todos os fãs de Arnaldo.

Imperdível este disco! “Envelhecer” é pura poesia sobre não ter medo da velhice.

Algumas outras pérolas não foram esquecidas.

Foi um show de Arnaldo!!

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EU TENHO A FORÇA!

03/11/2009

Ah, preciso registar!!!

8,2 kg mais magra, cabelos cortados e mais claros, musculação para melhorar o tônus, óculos novos (menor, pretinho, fino, mais clean)… Tô me achando! Aliás, acho que as pessoas também, os elogios estão mais frequentes. Isto é muito importante quando nossa auto estima resolveu visitar o subsolo.

E o melhor de tudo: os vaga-lumes resolveram acender sua luzinha em intervalos mais breves. A sensação de bem estar tem sido mais frequente e o fim do túnel está logo ali.

Isto me faz lembrar da maravilhosa música de Ivan Lins:

“Você foi saindo de mim
Devagar e pra sempre
De uma forma sincera
Definitivamente

Você foi saindo de mim
Por todos os meus poros
E ainda está saindo

Nas vezes em que choro
Nas vezes em que choro”

Eu sabia que chegaria o dia em que me sentiria mais leve e alegre, mas receava não ser tão breve!

Oh Tempo, Tempo, Tempo, Tempo, Senhor da Razão, como ousei duvidar da sua força?

Aliás, como ousei duvidar da minha força?