
A Liberdade é Azul?
06/01/2012Na nossa lista de ano-novo, aquela que se seguida nos tornará uma pessoa melhor, tem promessas e compromissos sérios. Queremos muito emagrecer, sabemos da real necessidade de praticar atividade física, os livros comprados e não lidos precisam sair da fila de espera, nossos amigos merecem receber mais atenção e temos certeza que o dia fluirá melhor se pararmos de querer passar nosso carro por cima dos que se acham os espetinhos do trânsito. Mas por que será que a maior parte (quando não todas) jamais deixará de ser apenas uma promessa?
Conquistar custa e, às vezes, muito caro. Será que estamos dispostos a pagar o preço?
Queremos menos ansiedade, mais alegria, conhecimento mais profundo de nós, mas não queremos deitar por anos a fio no divã do psicanalista, melhor comprar na farmácia o milagre da felicidade. Quanto aos quilos, perdê-los sim, mas sem abandonar os prazeres de uma mesa farta e calórica.
Venho tentando fazer comigo um joguinho; ao invés de ficar paralisada na destrutiva repetição: “não vou tirar o meu prazer de saborear as delícias da vida, trabalho demais e mereço comer esta fatia de torta”, procuro pensar: “o que é mais prazeroso para mim, comer ou manter- me magra”? Vou tentando fazer de forma consciente, o que fazemos o tempo todo, nem sempre tão conscientes assim. Sempre uma troca, não há como ter algo sem abrir mão de uma outra coisa que muitas vezes pode ser bastante cara a nós.
Portanto, antes de passar sua vida culpando os seus pais, marido, filhos e sem lá quem mais por ter deixado de realizar seus desejos, lembre-se que você traçou sua vida e fez suas escolhas. Em muitas delas desistiu de pagar o alto preço da renúncia.
Não temos como fugir das escolhas, estamos a cada minuto da vida lidando com elas. Como disse o genial Sartre: “o homem está condenado a ser livre”.
Será a liberdade um dádiva ou um fardo?