Arquivo da categoria ‘Cinema Paraíso’

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Elixir

29/03/2012

Cinema para espairecer um pouco e tentar esquecer as noites com sono intercalado e sonhos nervosos.

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Filmes de Páscoa

‘Shame’ é um dos filmes do ano. Há muito o cinema não mostrava a intransponível solidão de um homem

1. Brandon é um viciado. Não em drogas, não em bebida, nem sequer em pastilhas socialmente aceitáveis. O negócio dele é sexo.

O leitor sorriu com essa possibilidade: sexo é vício que não mata ninguém. E a ciência médica tem dúvidas sobre isso. “Dependência sexual” será uma compulsão patológica ou a melhor forma de aliviar a consciência da mulher traída?

Deixemos de lado essas discussões. Voltemos a Brandon. No início de “Shame”, filme de Steve McQueen, ele está deitado sobre uma cama. Tronco despido. Pele branca. Rosto pálido, magro, seco. Lençóis muito azuis.

McQueen, o diretor, é também artista plástico. O plano não é inocente: uma evocação perfeita de um Cristo nas suas mortalhas, como os maneiristas o pintaram repetidamente. Aquele homem está morto. Difícil saber se haverá ressurreição.

Existe uma sequência do filme que exprime esse óbito -e peço desculpa aos leitores por revelá-la aqui (os interessados podem sempre saltar alguns parágrafos): acontece quando Brandon, o supremo predador sexual, não consegue ter relações com uma colega de escritório.

A sequência vale o filme porque é, no duplo sentido da expressão, um “turn off”. Os dias de Brandon são o avesso desse fracasso: prostitutas, orgias, encontros casuais em bares -o homem é um garfo insaciável. Tão insaciável que a pornografia e a masturbação servem de aperitivo e sobremesa para os pratos principais.

Só que Brandon falha naquele prato. A razão é tão simples e trágica que qualquer admiração adolescente por ele morre ali, na cama: a moça era a única mulher com quem Brandon tivera uma sombra de envolvimento emocional.

Jantaram antes. Conversaram trivialidades. Beijaram-se, acariciaram-se. E, quando finalmente chegam aos finalmentes, há um olhar trocado entre os dois -um olhar de desejo, sim, mas sobretudo de vulnerabilidade- que acaba com o nosso garanhão.

Ele se afasta, cobre o rosto e sente vergonha, a vergonha de que fala o título. Não a vergonha de ter brochado -Brandon encarrega-se, logo a seguir, de contratar uma profissional para mostrar que ainda é homem.

Mas nós, testemunhas de tudo, sabemos que ele não é. E que a vergonha maior é esta mesma: a vergonha de ser incapaz de estabelecer com qualquer ser humano uma ligação substancial.

Essa incapacidade será amplificada pela irmã de Brandon, que chega a Nova York e instala-se no seu apartamento por uns dias. Sissy é o avesso do irmão: envolve-se muito, sente muito, magoa-se muito.

Brandon não gosta do estilo. Não por se preocupar com a irmã -isso é pedir muito para quem deixou atrofiar a linguagem básica da afeição. Mas porque a irmã devolve-lhe o reflexo da seu incomensurável vazio. “Você me encurrala”, grita, na noite em que a expulsa do apartamento. Brandon precisa do seu espaço imaculadamente vazio.

“Shame” é um dos filmes do ano. Porque há muitos anos o cinema não mostrava, de forma tão sem piedade e adulta, a intransponível solidão de um homem.

2. Michael Fassbender, em “Shame”, é um prodígio de representação dramática que Hollywood, na sua temporada de prêmios, não foi capaz de suportar. Mas existe um lugar “ex aequo” para Michel Piccoli em “Habemus Papam”.

Sou espectador de Piccoli há vários anos e só ele me faria assistir a um filme de Manoel de Oliveira (no caso, “Vou Para Casa”, em 2001).

Em “Habemus Papam”, Piccoli é o cardeal Melville, eleito papa no conclave, que, na hora de apresentação aos fiéis, é acometido por um pânico paralisante.

Piccoli é magistral nessa combinação de medo, tristeza e doçura infantil. E o filme de Nanni Moretti, contrariamente ao que foi escrito na Europa, não é um ataque à igreja -ou, mais amplamente, ao cristianismo.

Arrisco mesmo dizer que, ao filmar a fragilidade de um homem sobre quem os seus pares (ou o Espírito Santo?) colocaram tão ciclópica tarefa, Moretti realizou uma obra cristã por excelência.

“Pai, por que me abandonaste?”, teria suspirado Cristo nos momentos finais da sua agonia na cruz.

Se ao filho de Deus foi permitido um tal momento de fraqueza, por que não a um mero filho de homens?

jpcoutinho@folha.com.br

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Filmes

04/02/2012

Nada como um bom filme para espairecer da onda de violência e pânico que varre Salvador.

Vi três excelentes filmes: “O Último Bailarino de Mao”, “Minhas Tardes com Margueritte” e “Tomboy”. Ainda impactada com o último!

Todos mais que recomendados e depois escreverei sobre eles.

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Busca Frenética

06/12/2011

Há em “O Garoto da Bicicleta”, filme dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, um pouco da busca de todos nós. Um tanto do nosso desamparo, um bocado da nossa teimosia, um pouco da nossa face birrenta e um muito do amor que buscamos.

Cyril (Thomas Doret) é um garoto de 12 anos que não aceita o fato de ter sido abandonado pelo pai em um orfanato e busca desesperadamente por este amor, este pai. Nesta frenética busca encontra, por acaso, a cabeleireira Samantha (Cécile De France).

Muita rebeldia marcará este encontro e os Irmãos Dardenne nos poupa de sentimentalismos. Com uma direção dura, limpa, buscam obsessivamente economizar nas emoções, apesar do roteiro parecer pedir lágrimas.

Na sua teimosa insistência em ser aceito por este pai, Cyril vai encontrado substitutos para o papel. Há o traficante que parece surgir em um momento delicado e o salva, que o desafia a crescer, mesmo que por caminhos tortuosos. É o masculino da vida deste garoto carente que vive uma das mais intensas fases de transição da sua vida. Cyril quer apenas agradá-lo, somente ser aceito.

Samantha, é a “mãe” contida, compreensiva e que através de persistência e amor pode trazer este garoto de volta à vida. Todas as mães parecem carregar a culpa do mundo, mas nas mães adotivas soma-se a culpa pelo abandono previamente sofrido por seu rebento.

“O Garoto da Bicicleta” fala de laços afetivos, alguns frágeis, que podem levar ao abandono, outros fortes e estáveis que podem salvar, transformar. Belo filme! Tocante, emocionante! Levou-me a muitas lágrimas.

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Os filmes que vi com Contardo Calligaris

01/12/2011

PERFEITO!!

Texto de Contardo calligaris na Folha de Sao Pulo de 01/12/2011.

Contardo Calligaris

A pele que habito (e a dos outros)

Há homens que sonham em ser transformados (“contra sua vontade”) em mulheres promíscuas e submissas

Nesta altura, considero conhecida a trama do último Almodóvar, “A Pele que Habito”: um cirurgião, o doutor Ledgard, sequestra um jovem (Vicente) durante anos e o transforma numa mulher (Vera).

Na saída do cinema, alguém comenta: “Se acontecesse comigo, eu ficaria namorando o médico. Fazer o quê? Pênis, eu já não teria mais. E não estaria a fim de fugir. Voltar para minha vida de antes e contar que me tornei mulher para minha mãe e para meus amigos, já pensou?”.

Infelizmente, na situação da vítima de Ledgard, ninguém conseguiria fazer prova de tamanho pragmatismo, por uma razão simples: a sensação íntima e profunda de ser homem ou mulher (a identidade de gênero) não é coisa que possa ser mudada.

É possível, isso sim (e acontece no caso dos transexuais), “retificar” o corpo, caso ele não coincida com a identidade de gênero de alguém.

Se você sempre se sentiu homem num corpo de mulher ou mulher num corpo de homem, se você tem a trágica impressão de estar no corpo errado, pois bem, nesse caso, à força de hormônios, operações cirúrgicas e orientações terapêuticas, você talvez possa modificar seu corpo de maneira que ele concorde com seu sentimento de identidade.

Mas não há tratamentos que, ao transformar seu corpo, possam levar você a mudar seu sentimento profundo de ser homem ou mulher.

Conclusão, se um homem fosse transformado em mulher à força, ele não se resignaria (pragmaticamente), mas passaria a vida querendo que seu corpo fosse retificado para ele voltar a ser o homem que ele nunca deixou de ser.

Em 24 de fevereiro de 2000, nesta coluna (“A terapia da faca e do superbonder”), contei a história de David Reimer, cujo pênis foi decepado acidentalmente na circuncisão, em 1966. Por sugestão do psicólogo John Money, Reimer foi castrado e criado como menina, com a ideia de que é melhor ser uma menina fabricada (na faca, com hormônios, roupas e brincadeiras adequadas) do que um menino com uma prótese peniana.

John Money escondeu o desespero de Reimer durante infância e adolescência. Reimer, ao descobrir o engodo do qual tinha sido vítima, parou a palhaçada e voltou a ser homem. Atualizando: em 2004, Reimer se suicidou.

Por qual loucura Money imaginou que, ao transformar o corpo de um menino, ele poderia mudar sua identidade e fazer dele uma mulher?

A resposta está na onipotência das ciências humanas nos anos 60, mas também numa fantasia erótica masculina, que talvez Money compartilhasse e que paira tanto sobre “A Pele que Habito” quanto sobre o livro (imperdível) que inspira o filme: “Tarântula”, de Thierry Jonquet (Record).

Há sites (sixpacksite.com; tgcomics.com; fictionmania.tv) inteiramente dedicados a ficções e quadrinhos que elaboram fantasias de feminização forçada. A clientela desses sites é de homens heterossexuais, que sonham em ser transformados (“contra sua vontade”) em mulheres promíscuas e submissas. Dica: os machos que se gabam por levar as mulheres à loucura podem estar com vontade de sentir neles mesmos o efeito de seus próprios (supostos) talentos.

Mais perto do cotidiano, “A Pele que Habito” é também apenas mais uma parábola do amor, pois é banal que o amor nos leve a querer transformar parceiros e parceiras de forma que eles correspondam a nossas expectativas.

O projeto de moldar o outro transforma qualquer convívio numa violência. Mas essa violência não impede nada: no clássico “Post-traumatic Therapy and Victims of Violence” (terapia pós-traumática e vítimas da violência, Routledge, 1988), Frank Ochberg enumerava, entre os sintomas habituais das vítimas, tanto um ódio ressentido e doentio quanto sentimentos positivos -incluindo amor romântico, sujeição e, paradoxalmente, gratidão.

“A Pele que Habito” poderia ser, em suma, a versão trágica e realista de “My Fair Lady”. No musical, Eliza Doolittle acaba amando mais que odiando o prof. Higgins, que a transformou numa “lady”. No filme de Almodóvar, talvez Vera odeie Ledgard mais do que o ama. Mas o que importa é que os sentimentos da vítima são sempre ambivalentes.

É essa a chave para entender as mil histórias de vítimas que poderiam ou deveriam ter fugido, como a de Natascha Kampusch, abusada por “3096 Dias” (Verus ed.), ou como a da menina que foi escrava sexual de Gaddafi durante cinco anos (Folha.com de 15/11; http://migre.me/6g0HI).

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7º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE SALVADOR

09/11/2011

De Olho no Mundo’ é o tema do 7º Festival Internacional de Cinema de Salvador, que acontece de 11 a 24, nas Saladearte Cinema da UFBA (Vale do Canela) diariamente às 18:30 e 20:30, Cinema do Museu (Corredor da Vitória) diariamente às 20:30 e também sábado às 22:30 e Cine XIV (Pelourinho) diariamente às 18:30. O tema presta homenagem ao crítico e criador da Mostra Internacional de Cinema Leon Cakoff, que morreu em 14 de outubro deste ano e inspirou a criação do projeto Saladearte.

Cakoff criou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 77. Lutou contra a censura imposta pelo regime militar, trazendo filmes até por meio de malas diplomáticas. Conseguiu assim exibir produções inéditas vindas da China, Cuba, União Soviética e dos mais distantes países. Frequentador do circuito dos grandes festivais mundiais, tornou-se amigo de cineastas como Quentin Tarantino e Dennis Hopper. Em 2010, a 34ª edição atingiu mais de meio milhão de espectadores.

 

PROGRAMAÇÃO – 7º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE SALVADOR – 11 a 24/2011

8 11 2011

CINE DOC

PROVA DE ARTISTA

De José Jofilly. BRA, 11. 84 min. Livre.

O documentário Prova de Artista acompanha o dia-a-dia de cinco jovens e talentosos músicos em suas audições, estudos e ensaios para as orquestras de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. O filme revela os conflitos, a paixão e a disciplina envolvidos na escolha de seguir a vocação artística. Exibido no Festival do Rio 2011.

Cinema da UFBA: 11/11 (sexta) às 18:30

 

TANCREDO – A TRAVESSIA

De Silvio Tendler. BRA, 11. 90 min. Livre. Com Betty Goulart, Christiane TorloniJosé Wilker, Marcos França.

A trajetória de Tancredo Neves (1910-1985) ao longo de fatos importantes da história política brasileira, como a relação com Getúlio Vargas, o trabalho para permitir a posse de João Goulart logo após a renúncia de Jânio Quadros, o contato com Castello Branco, o primeiro presidente militar, e sua participação na campanha das Diretas Já. Exibido no festival É Tudo Verdade 2011.

Cinema do Museu: 11/11 (sexta) e 15/11 (terça) às 20:30

 

ISTO NÃO É UM FILME (In Film Nist)

De Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb. IRÃ, 11. 75 min. 18 anos. Com Jafar Panahi.

Condenado pela justiça do Irã, o cineasta Jafar Panahi aguarda em prisão domiciliar pelo resultado de sua sentença no tribunal de apelação. Este “não filme” retrata um dia nesta difícil rotina do diretor perseguido pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad. Exibido no Festival de Cannes 2011 e na 35ª Mostra Internacional de Cinema de SP.

Cinema do Museu: 19/11 (sábado) às 20:30

 

AS PRAIAS DE AGNÈS (Les Plages d’Agnès)

De Agnès Varda. FRA, 08. 110 min. 14 anos. Com Agnès Varda, André Lubrano.

Com fotografias, fragmentos de filmes, entrevistas, e pequenas encenações, Varda compõe uma autobiografia, num passeio do tempo de criança na Bélgica até Paris, da descoberta do cinema até a participação na Nouvelle Vague, do casamento e dos filhos até a vida depois da morte de Jacques Demy. Exibido no Festival do Rio 2009.

Cinema da UFBA: 18/11 (sexta) às 18:30

Cinema do Museu: 22/11 (terça) às 20:30

 

BUDRUS (Budrus)

De Julia Bacha. ISR, EUA, PAL, 10. 70 min. Livre.

Budrus é um vilarejo localizado na fronteira entre a Cisjordânia e Israel, onde em 2003 foi realizado um protesto não-violento. A causa foi o anúncio da construção de um muro pelos israelenses, o qual destruiria oliveiras históricas e economicamente importantes para a comunidade. Ayed Morrar e sua filha estavam à frente do movimento, que conseguiu unir facções palestinas rivais, como o Fatah e o Hamas, e ainda judeus progressistas. 2º prêmio do público do Festival de Berlim 2010.

Cinema da UFBA: 15/11 (terça) e 21/11 (segunda) às 18:30

 

 

MOSTRA BRASIL 

MÃE E FILHA

De Petrus Cariry. BRA, 11. 80 min. 14 anos. Com Zezita Matos e Juliana Carvalho.

Depois de uma longa separação, mãe e filha se encontram no sertão, entre ruínas e lembranças. O destino da filha nega o sonho da mãe. O passado é um círculo que aprisiona os vivos e os mortos. A filha que romper, mas as sombras espreitamVencedor do 21º Festival Ibero-Americano de Cinema Cine Ceará. Exibido no Festival do Rio 2011.

Cinema da UFBA: 12/11 (sábado) às 18:30

 

FAMÍLIA VENDE TUDO

De Alain Fresnot. BRA, 11. 89 min. 12 anos. Com Caco Ciocler, Marisol Ribeiro, Luana PiovaniLima Duarte.

Após a apreensão da muamba vinda do Paraguai, uma família se vê em sérios problemas financeiros. A saída é usar a filha Lindinha (Marisol Ribeiro) para aplicar o golpe da barriga. O alvo passa a ser Ivan Carlos (Caco Ciocler), um astro da música brega que enlouquece suas fãs ao rebolar usando calça justa ao som do xique, ritmo musical em alta. Vencedor de 5 prêmio no Festival Cine PE 2011.

Cinema da UFBA: 15/11 (terça) às 20:30 e 24/11 (quinta) às 18:30

 

RISCADO

De Gustavo Pizzi. BRA, 10. 85 min. 10 anos. Com Karine Teles, Camilo Pellegrini, Otávio Muller.

Bianca é uma excelente atriz, mas sua carreira ainda não deslanchou. Como ganha-pão, ela imita divas do cinema e trabalha divulgando eventos. Após fazer um teste para uma grande produção internacional, Bianca finalmente ganha o papel. Inspirado pela personalidade e o trabalho dela, o diretor do filme transforma a personagem do seu roteiro, em uma versão da própria Bianca, que será uma das protagonistas. Essa é a grande chance de sua vida? Prêmio de melhor atriz no Festival do Rio 2010, 5 prêmios no Festival de Gramado 2011 e vencedor do Festival World Cinema Amsterdam.

Cinema do Museu: 14/11 (segunda) às 20:30

Cinema da UFBA: 17/11 (quinta) às 18:30

 

 

MOSTRA MUNDO

TRIÂNGULO AMOROSO (Drei)  

De Tom Tykwer. ALE,11. 119 min. 16 anos. Com Sophie Rois, Sebastian Schipper, Devid Striesow.

Hanna e Simon são casados e vivem juntos em Berlim. Hanna conhece Adam, com quem inicia um caso extraconjugal. Ao mesmo tempo, Adam também é apresentado a Simon e os dois se tornam parceiros de natação. Mas a amizade também logo evolui para um romance e os três passam a viver um secreto triângulo amoroso. Quando Hanna descobre estar grávida, os caminhos pessoais de cada um irão finalmente se encontrar. Selecionado para a competição oficial do Festival de Veneza 2010. Do mesmo diretor de Corra Lola, Corra e Trama Internacional. Exibido no Festival do Rio 2011 e Seleção Oficial Festival de Veneza 2010.

Cinema do Museu: 12/11 (sábado) às 20:30

Cinema da UFBA: 20/11 (domingo) às 18:30

 

CAMINHO PARA O NADA (Road to Nowhere)

De  Monte Hellman. EUA, 10. 121min. 14 anos. Com Shannyn Sossamon, Tygh Runyan e Cliff De Young

Mitchell Haven é um jovem diretor prestes a rodar seu novo filme, baseado em um crime verídico protagonizado pelo político Rafe Tachen e sua jovem amante Velma Duran. Envolvidos em fraude e assassinato, os dois desapareceram misteriosamente, deixando suspeitas de que teriam se suicidado. Para o papel de Velma, Mitchell escala a desconhecida Laurel Graham, impressionantemente semelhante à personagem real. O diretor fica obcecado por sua atriz e, quando as filmagens começam, ele já não consegue distinguir entre ficção e realidade. Competição do Festival de Veneza 2010 e Exibido no Festival do Rio 2011.

Cinema da UFBA: 14/11 (segunda) e 19/11 (sábado) às 18:30

 

A CHAVE DE SARAH (Sarah’s Key)

De Gilles Paquet-Brenner. FRA, 10. 111 min. 14 anos. Com Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance e Niels Arestrup.

Julia Jarmond, uma jornalista americana que vive na França, é designada para cobrir as comemorações do 60º aniversário do Vel dHiv, episódio do qual ela nunca ouvira falar até então. Ao apurar os fatos ocorridos, a repórter constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação, e em seguida comprado pelos avós de Bertrand. Julia decide então descobrir o destino dos ocupantes anteriores – e a história de Sarah, a única sobrevivente dos Starzynski, é revelada. Exibido no Festival do Rio 2011.

Cinema da UFBA: 13/11 (domingo) às 20:30

Cinema do Museu: 23/11 (quarta) às 20:30

  

O MOINHO E A CRUZ (The Mill and The Cross)

De Lech Majewski. SUE/POL, 10. 97 min. 14 anos. Com Rutger Hauer, Michael York, Charlotte Rampling.

Uma recriação arrebatadora da pintura épica de Pieter Brugel “A procissão para o Calvário”, de 1654. No filme, Rutger Hauer representa Bruegel, Michael York vive um colecionador de arte amigo do pintor e Charlotte Rampling é a inspiração para sua Virgem Maria. Assim Majewski – usando efeitos visuais, tomadas em locações fantásticas na Polônia, na Áustria e na Nova Zelândia e um imenso pano de fundo pintado à mão – conta a história da pintura através de uma análise minuciosa de rituais seculares da vida cotidiana flamenga no século XVI, em toda a sua ocre imundície, com cenas que revelam as escolhas artísticas de Bruegel e o contexto político do momento. A pintura literalmente ganha vida neste filme encantador, em que cenas fantásticas invadem o espectador como um sonho adentra um corpo adormecido. Exibido no Festival do Rio 2011, Festival de Roterdã e Sundance Film Festival 2011.

Cinema da UFBA: 13/11 (domingo) às 18:30

Cinema do Museu: 17/11 (quinta) às 20:30

   

OLIVER SHERMAN (Oliver Sherman)

De Ryan Redford. CAN, 10. 82 min. 14 anos. Com Donal LogueGarret DillahuntMolly Parker.

Sentindo-se perdido, desconectado, e sem família, o veterano Oliver Sherman vai para o interior à procura do soldado que o salvou na guerra. Este homem, Franklin Page, há muito tempo mudou, com esposa, filhos e um emprego seguro em uma calma cidade rural. Ao chegar, Sherman parece, a princípio, inofensivo, mas a medida em que se introduz na vida dos Page’s, ele se revela raivoso, instável e inclinado a grande ciúme e profundo ressentimento. Assim, a estabilidade que Franklin trabalhou tão duro é ameaçada e a violência que ele acreditou ter deixado para trás recomeça tanto sobre a sua família quanto a própria cidade. Exibido no Festival do Rio 2011 e Seleção Oficial do Festival de Toronto 2011.

Cinema do Museu: 13/11 (domingo) e 21/11 (segunda) às 20:30

 

O VENDEDOR (La Vendeur)

De Sébastien Pilote. CAN, 11. 107 min. 10 anos. Com Gilbert Sicotte, Jean-François Boudreau, Jean-Robert Bourdage, Nathalie Cavezzali.

Aos 67 anos, Marcel Léves contabiliza décadas de experiência como vendedor de carros na pequena cidade de Lac Saint-Jean, em Quebéc. Ele é um homem que se define pelo seu trabalho e se orgulha de ter se mantido no posto de vendedor do mês por dezesseis anos consecutivos. Suas únicas outras paixões são sua filha Maryse e seu neto Antoine, um jovem jogador de hóquei. No entanto, quando a fábrica de papéis local entra em processo de falência, a economia da cidade é abalada e a venda de carros cai vertiginosamente. Diante da crise, Marcel é forçado a rever seus planos de vida. Exibido no Festival do Rio 2011.

Cinema do Museu: 16/11 (quarta) às 20:30

Cinema da UFBA: 24/11 (quinta) às 20:30

 

PARA POUCOS (Happy Few)

De Antony Cordier. FRA, 10. 107 min. Com Marina Foïs, Élodie Bouchez, Roschdy Zem, Nicolas Duvauchelle.

Dois casais de classe média na casa dos 30 anos se encontram. Eles se sentem atraídos uns aos outros e começam a se envolver. A paixão dividida começa a se tornar um vicio, eles começam a se perder e lutam para escapar do caos emocional. É possível viver novas experiências sexuais sem cometer adultério? O desejo consegue sobreviver à rotina? Pode-se ter tudo? E quando os limites do que se considera normal em famílias e relacionamentos forem quebrados, como se encontrar no meio disso? Exibição no Festival de Veneza 2010.

Cinema do Museu: 18/11 (sexta) às 20:30

Cinema da UFBA: 23/11 (quarta) às 18:30

 

A CRIANÇA DA MEIA NOITE (La Permission de Minuit)

De Delphine Gleize. FRA, 11. 110 min. 10 anos. Com Quentin Challal, Vincent Lindon, Emmanuelle Devos, Caroline Proust.

Romain (Quentin Challal) nasceu com uma rara doença genética, que faz com que raios solares provoquem danos ao DNA de suas células. Desta forma ele é conhecido como “a criança da meia-noite”, já que apenas pode sair de casa à noite. Sob os cuidados de David (Vincent Lindon), um professor de dermatologia do Hospital Universitário de Bayonne, ao longo dos anos eles estabelecem uma forte amizade. Só que, quando David consegue uma vaga na Organização Mundial da Saúde, em Genebra, ele precisa encontrar um jeito de contar ao garoto que irá embora. Exibido no Festival do Rio 2011.

Cinema da UFBA: 16/11 (quarta) às 18:30

Cinema do Museu: 24/11 (quinta) às 20:30

 

LOUP – UMA AMIZADE PARA SEMPRE (Loup)

De Nicolas Vanier. FRA, 09. 1:42. 12 anos. Com Nicolas Brioudes, Pom Klementieff, Min Man Ma, Vantha Talisman.

Sergei (Nicolas Brioudes) faz parte dos Évène, um povo nômade que cria renas e vive nas montanhas da Sibéria Oriental. Ao completar 16 anos ele é nomeado guardião do grande rebanho de renas do clã de Batagai. Sergei aprendeu a caçar e matar lobos sem sentir qualquer pesar, mas a situação muda ao encontrar uma loba e seus filhotes. Vencedor do Earth Grand Prix do Festival Internacional de Cinema de Toronto 2009 e do Festival de Tóquio 2009.

Cinema do Museu: 20/11 (domingo) às 20:30

Cinema da UFBA: 22/11 (terça) às 18:30

 

 

SESSÃO CORUJA

APOLLO 18 (Apollo 18)

De Gonzalo López-Galego. EUA, 11. 88 min. 14 anos. Com Warren ChristieLloyd Owen.

Oficialmente, a Apollo 17 foi a última missão tripulada à Lua, tendo sido lançada em 17 de dezembro de 1972. Só que, um ano depois, foi enviado ao satélite uma missão sigilosa, a Apollo 18, financiada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Apenas dois astronautas foram enviados e ambos não sabiam o que estavam por enfrentar. Quando um deles encontra um capacete rachado em pleno solo lunar eles percebem que há algo de errado ali.

Cinema do Museu: 12/11 (sábado) às 22:30

 

A CASA (The Silent House Gustavo Hernández)

De Gustavo Hernández. URU, 10. 78 min. 14 anos. Com: Gustavo Alonso, Florencia Colucci, Abel Tripaldi, María Salazar.

O enredo é baseado em uma história verdadeira que aconteceu em 1944 em um pequeno vilarejo do Uruguai. O filme mostra os últimos 78 minutos, segundo por segundo, em que Laura tenta sair de uma casa que esconde um segredo obscuro, o filme é realizado num único plano seqüência. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2010.

Cinema do Museu : 19/11 (sábado) às 22:30

 

 

MOSTRA WADJA – CINEMA POLONÊS

CÁLAMO (Tatarak)

De Andrzej Wadja. POL, 09. 83 min. 14 anos. Com Jan Englert, Julia Pietrucha, Roma Gąsiorowska.

“Cálamo” é um filme baseado no conto de Jaroslaw Iwaszkiewicz, um dos mais renomados escritores poloneses. A princípio é uma história sutil e tocante sobre um amor impossível. No entanto, Wajda vai mais fundo, criando um conto multidimensional sobre o sentimento, que chega tarde demais, e sobre a morte, que sempre chega cedo demais.

Cinema da UFBA: 11/11 (sexta) às 20:30

Cine XIV: 20/11 (domingo) às 18:30

 

O MAESTRO (Dyrygent)

De Andrzej Wajda. POL, 80. 101 min. 16 anos. Com John Gielgud, Krystyna Janda, Andrzej Seweryn.

Uma violinista da orquestra de uma província polonesa, cujo marido é o diretor do grupo, apaixona-se por um renomado maestro em uma visita aos EUA. O mastro, por sua vez, foi apaixonado pela mãe da violinista e resolve ir à Polônia para reviver essa paixão, usando a violinista como escada para encontrar a mãe.

Cinema da UFBA: 12/11 (sábado) às 20:30

Cine XIV: 19/11 (sábado) e 24/11 (quinta) às 18:30

 

 AS SENHORITAS DE WILKO (Panny z Wilka)

De Andrzej Wadja. POL, 79. 118 min. 14 anos. Com Daniel Olbrychski, Paul Guers, Anna Seniuk , Maja Komorowska.

Com argumento baseado em romance homônimo de Jaroslaw Iwaszkiewicz, a história se desenrola no século passado na década de vinte. O ex-combatente Wiktor Ruben (Daniel Olbrychski) retorna a cidade onde passou os verões de sua infância. Ele fica na casa de sua tia (Zofia Jaroszewska) e do seu tio (Tadeusz Bialoszczynski), na qual também se reúnem várias mulheres – Julcia (Anna Seniuk), Jola (Maja Komorowska), Zosia (Stanislawa Celinska), Kazia (Krystyna Zachwatowicz), e Tunia (Christine Pascal). Panny z Wilka foi indicado ao Oscar® de melhor filme de língua não-inglesa em 1980. Filme com fotografia e trilha sonora impecáveis.

Cine XIV: 13/11 (domingo) e 22/11 (terça) às 18:30

Cinema da UFBA: 21/11 (segunda) às 20:30

 

OS INOCENTES CHARMOSOS (Niewinni Carodzieje)

De Andrzej Wajda. POL, 60. 83 min. 14 anos. Com Tadeusz Łomnicki, Krystyna Stypułkowska.

O filme conta a história de um jovem médico que encontra uma mulher, no momento em que ele não sabia mais o que desejar na vida. O médico é bonito e atraente o bastante para ter as mulheres o tempo todo aos seus pés. O que parece ser um grande problema para a maioria dos homens – encontrar uma companhia – para ele não era. Entretanto, encontra uma bela e inteligente jovem, que a princípio, parece diferente de todas as mulheres que havia conhecido. Quando o doutor tem que sair para encontrar alguns amigos, sente a necessidade de encontrar esta mulher interessante novamente… Parece que ela desapareceu, ou assim ele pensa. Mais uma bela obra do mestre, com final inusitado e maravilhoso.

Cine XIV: 11/11 (sexta) às 18:30

Cinema da UFBA: 23/11 (quarta) às 20:30

 

A VINGANÇA (Zemsta)

De Andrzej Wajda. POL, 02. 100 min. 12 anos. Com Andrzej Seweryn, Janusz Gajos.

Baseado em uma comédia de um dos mais populares dramaturgos poloneses do século XIX, Aleksander Fredro. Czesnik Raptusiewcz (Janusz Gajos) divide o castelo com o odiado vizinho – escrivão Milczek (Andrzej Seweryn). Uma série de intrigas, mentiras, sequestros, acertos e desacertos.

Cine XIV: 16/11 (quarta) às 18:30

Cinema da UFBA: 14/11 (segunda) às 20:30

 

SENHOR TADEU (Pan Tadeusz)

De Andrzej Wajda. POL, 99. 147 min. 12 anos. Com Bogusław Linda, Daniel Olbrychski, Grażyna Szapołowska.

Filme baseado na epopéia do grande escritor polonês, Adam Mickiewicz, escrita em 1834, depois de dez anos da emigração forçada do autor no exterior. Carregado de lirismo e saudade do país, num longo poema o escritor apresenta a visão de um mundo aristocrata em extinção, tornando pública a imagem contemporânea (de então) dos poloneses e da Polônia.

Cine XIV: 15/11 (terça) às 18:30

Cinema da UFBA: 16/11 (quarta) às 20:30

 

KORCZAK (Korczak)

De Andrzej Wajda. POL, 99. 147 min. 14 anos. Com Wojciech Pszoniak, Ewa Dałkowska,Teresa BudziszKrzyżanowska.

Filme baseado na epopéia do grande escritor polonês, Adam Mickiewicz, escrita em 1834, depois de dez anos da emigração forçada do autor no exterior. Carregado de lirismo e saudade do país, num longo poema o escritor apresenta a visão de um mundo aristocrata em extinção, tornando pública a imagem contemporânea (de então) dos poloneses e da Polônia.

Cinema da UFBA: 19/11 (sábado) às 20:30

Cine XIV: 21/11 (segunda) às 18:30

 

TUDO À VENDA (Wszystko Na Sprzedaż)

De Andrzej Wadja. POL, 68. 94 min. 14 anos. Com Beata TyszkiewiczElzbieta Czyzewska.

O aclamado diretor Andrzej Wajda, usa toda a sua experiência para criar um filme sobre pessoas que trabalham numa produção cinematográfica, e por negligência, atrapalham a atuação do diretor, do produtor e dos colegas. Como pano de fundo, as cenas cobrem o “Making Off” de uma filmagem e focaliza o drama do elenco e da equipe técnica, numa produção, onde o ator principal morre no decorrer da filmagem. Intensamente pessoal Wajda criou este filme como uma homenagem ao amigo e ator polonês falecido, Zbigniew Cybulski. Uma linha muito tênue empresta ao elenco uma atuação muito particular, pois a maioria interpreta a si próprio. Filme de Wajda que foge sua temática principal, a guerra. Belo e profundo, inédito no Brasil.

Cine XIV: 12/11 (sábado) e 23/11 (quarta) às 18:30

Cinema da UFBA: 22/11 (terça) às 20:30

 

CRÔNICA DOS ACIDENTES AMOROSOS (Kronika Wypadków Miłosnych)

De Andrzej Wadja. POL, 95. 114 min. 12 anos. Com Piotr Wawrzynczak, Paulina Mlynarska.

Um filme poético, baseado no romance do Tadeusz Konwicki, que traz nostalgia dos tempos da infância. A ação se passa na Lituânia, cuja parte, antes da Segunda Guerra, pertencia à Polônia. Um aluno de ginásio, Wicio (Piotr Wawrzynczak), apaixona-se por uma jovem da mesma idade, Alina (Paulina Mlynarska).

Cine XIV: 14/11 (segunda) às 18:30

Cinema da UFBA: 17/11 (quinta) às 20:30

 

O HOMEM DE MÁRMORE (Człowiek Z Marmuru)

De Andrzej Wadja. POL, 76. 153 min. 14 anos. Com Jerzy Radziwiłowicz, Krystyna Janda, Tadeusz Łomnicki.

Uma iniciante diretora de filme, Agnieszka (com uma excelente estreia de Krystyna Janda, hoje uma atriz de fama europeia) tenta realizar um filme para o seu diploma de graduação através da televisão estatal. O filme toca no tema tabu daquela época: o stalinismo. A equipe tenta ajudar “a jovem revoltada” da melhor maneira possível. Porém, o diretor da edição, fiel ao poder comunista, quer que o filme da iniciante não passe de uma boa propaganda do sistema. Agnieszka não se rende .

Cine XIV: 18/11 (sexta) às 18:30

Cinema da UFBA: 20/11 (domingo) às 20:30

 

O MESCLADO (Przekładaniec)

De Andrzej Wadja. POL, 68. 35 min. 12 anos. Com Bogumił Kobiela, Ryszard Filipski, Anna Prucnal.

“O mesclado” foi uma única viagem na carreira de Wajda na direção da ficção científica. O roteiro foi escrito pelo mundialmente conhecido autor polonês desse gênero de literatura, Stanislaw Lem. Realizado no final dos anos 60, é um filme de curta metragem cuja ação desenrola-se no início do século XXI.

Cine XIV: 17/11 (quinta) às 18:30

Cinema da UFBA: 18/11 (sexta) às 20:30

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A Pele que Todos Habitamos.

01/11/2011

Transborda Almodóvar por todos os poros de “A Pele que Habito”. São cores, closes, câmeras, luz e personagens impregnados do Almodóvar que conhecemos tão bem.

Há uma sensação de estarmos vendo um antigo filme deste diretor tão intrigante, mas “A Pele que Habito” trás um Almodóvar mais refinado, maduro, seguro e com muito mais possibilidades cênicas. Ele utiliza e nós nos lambuzamos com esta beleza.

“A Pele que Habito” questiona a nossa neurótica busca pela perfeição e pelo eterno.

Robert Ledgard, Antônio Banderas em triunfal retorno ao cinema espanhol pelas mãos do diretor que o lançou no mundo cinematográfico, é um cirurgião plástico que testa uma nova pele capaz de resistir à queimadora e dor. Uma pele perfeita. Não há limites éticos nesta empreitada do Dr. Ledgard que dedica-se com afinco a este experimento desde que perdeu sua mulher após ter sofrido graves queimaduras em um acidente de carro.

Há muitas perguntas e surpresas nesta obra-prima de Almodóvar que não nos poupa dos seus personagens neuróticos que beiram a psicose.

Uma sinopse pouco nos dirá desta magnífica película, há muito mais do que uma história contada. Há em cada detalhe um questionamento que devemos fazer à respeito de nós, do mundo e do “estruturante” olhar do outro sobre nós.

Há uma mensagem importante que o filme nos impõe: por mais que busquemos a perfeição, por mais que nos transformemos e pareçamos distantes do que fomos, há o humano em nós que nunca se modifica. Seremos para sempre o que temos de mais forte e que nos sustenta. Nunca deixaremos de ser quem verdadeiramente somos.

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Enfim Almodóvar!

28/10/2011

Hoje tem espetáculo sim senhor! Pré-estreia de “A Pele que Habito”, novo filme de Almodóvar que tem sido incensado por público e crítica em todos os lugares que passa.

Segundo o Jornal do Brasil: “Com seu ensaio sobre amor, ódio, vingança e busca pelo inalcançável, Pedro Almodóvar nos brinda com mais uma pérola de seu cinema único. Um filme imperdível.”

Não esperarei nem um dia, é hoje!

Ingresso já reservado, chegarei cedo no cinema (Saladearte Cine Vivo) para tomar um café, sentir o delicioso clima do cinema e encontrar pessoas que gosto. Depois da sessão um jantarzinho cairá muito bem.

O fim de semana começa em alto estilo e promete seguir assim.

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bahêa sua vida

25/10/2011

“Se um dia meu coração for consultado para saber se andou errado…”

Não será difícil negar, meu coração não se deixou levar pela paixão tricolorida do “esquadrão de aço”.

Sim, fui ver o filme “Bahêa Minha Vida” e não me emocionei. Assisti com amigos tricolores que torciam para ver lágrimas rolando em minha face. Nem cheguei perto disso!

Reconheço que tive receio de chorar. Pensei que o filme focasse na torcida e na grande paixão que a move, mas enganei-me. O filme conta a história do clube, suas vitórias, grandes jogadores e derrotas. Pude ver cenas que tive o desprazer de presenciar na Fonte Nova, como a final do campeonato baiano de 1994 quando Raudinei fez um gol aos 46 minutos do segundo tempo e vi o título escapar das minhas mãos rubro-negras.

O filme, apesar de bem realizado, não me encantou ou emocionou. Conheci um pouco mais do clube que aprendi a não gostar quando ainda mal conhecia futebol.

Sou de uma cidade do interior da Bahia (Itagi) e aprendi a torcer para times do Rio de Janeiro. Por influência paterna sou vascaína. Desde pequena já torcia também para o Vitória, mas com menos admiração. Meu amor pelo Leão cresceu quando mudei-me para Salvador. Mas desde muito pequenina, muito antes de me interessar por futebol, não gostava do bahia. Em todos os jogos eles brigavam, procuravam confusão e eu ficava com a sensação que ganhavam sem merecer.

Hoje tenho o tricolor baiano realmente como rival. Não gosto do bahia, como boa e fiel torcedora do Vitória, desejo que o bahia nem exista!

Sua torcida é realmente linda! Digo que para o bahia a torcida é sua glória e sua desgraça! Como apoiam incondicionalmente o time, não há motivos para melhorar ou investir, sua torcida aceita tudo! É realmente uma história de paixão. Paixão que tudo aceita, que não vê defeitos, ou quando enxerga-os, tenta minimizá-los.

Nunca poderia torcer para estes times de massa, das grandes e apaixonadas torcidas. Meus sentimentos não são assim arrebatadores. São calmos, mais calculados. Não sou acostumada a estes arrebatamentos, tive poucas (quase nada) paixões na vida. Sou centrada e racional.

“Meu coração tem mania de amor”.

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Esperarei você para sempre Marcelo

15/10/2011

Marcello Mastroianni é Antônio, um homem jovem e apaixonado que se vê obrigado a deixar seu grande amor na Itália e seguir para campos de batalha na Rússia. O mundo vive a segunda guerra mundial.

No final da guerra, Giovanna, a belíssima Sophia Loren, não se conforma com a falta de notícias nem com a possível morte do seu marido Antônio na gelada Rússia e parte à sua procura.

“Os Girassois da Rússia” conta uma das mais belas histórias de amor do cinema em meio a belíssima fotografia. Um amor que, apesar de desperdiçar o momento de concretizar-se, existirá para sempre.

Encontros, desencontros, impossibilidade e difíceis escolhas permeiam este excelente filme de Vittorio de Sica, o precursor do Neorrealismo italiano.

Marcello, fácil esperá-lo para sempre!

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A Pele que Habito

05/10/2011
Breve no Circuito Saladearte a nova obra-prima de Almodóvar: “A Pele que Habito”.

 

Diretor desloca atenção para a profundidade das epidermes

CÁSSIO STARLING CARLOS
CRÍTICO DA FOLHA

Filmar com excessos -as paixões, as cores, a sexualidade- foi, desde as origens, a marca do cinema de Almodóvar. Mas mesmo seu espectador mais descomedido pode ir preparado para encontrar em “A Pele que Habito” um filme que transborda.
O excedente de controle que deságua em descontrole tem seu ponto de partida na relação entre o cirurgião Robert (composto por Antonio Banderas com frieza e dureza formidáveis) e a paciente Vera (Elena Anaya, um cruzamento genético de Penélope Cruz e Victoria Abril). Almodóvar tece uma sucessão de tipos e situações anômalos aptos a promoverem as rupturas que conduzem o filme a cada surpresa.
Em meio a uma montanha-russa na qual se sucedem apogeus plásticos e abismos emocionais, percorremos temas do primeiro e mais escrachado Almodóvar reincorporados à vertente mais clássica e sóbria que ele estabeleceu na fase dos melodramas.
Com uma estética clínica que evoca o cinema orgânico de Cronenberg, “A Pele que Habito” nos entrega uma potente reflexão sobre a subjetividade contemporânea.
Em vez do corpo, sujeito a todo tipo de modificação, adaptação e reconstituição, Almodóvar desloca nossa atenção para a profundidade das epidermes.
Em telas de TV, na superfície das paredes de um quarto, na reconstituição da imagem da pessoa amada ou na impossibilidade do sexo via penetração, ele faz desaparecer os limites das identidades feminina, masculina, gay. E realiza uma obra-prima transgênica e transgênero.

A PELE QUE HABITO
AVALIAÇÃO ótimo

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