Arquivo da categoria ‘Cinema Paraíso’

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Vingaça é um prato que se saboreia

18/10/2009

Saciados, é assim que nos sentimos ao saborear a vingança que Tarantino nos oferece no seu maravilhoso Bartados Inglórios. Não é um tratado sobre a vingança o que Tarantino nos propõe, mas sim uma fantasia sobre ela.

A crueza dos Bastardos não nos choca, a vontade que temos é de nos unir a eles e, juntos, praticar as atrocidades.

Quem nunca devaneou comer, quente ou frio, o prato da vingança? Quem já não arquitetou a sua história de saída honrosa após ter sido humilhado, rejeitado, magoado, tripudiado… Tarantino arrumou seu sonho com maestria estética e nos presenteou com sua (nossa) vingança. Ornou-a com músicas elegantes, câmera precisa e atores de primeira.´

Saímos não só fartos, mas também vingados.

Bastardos Inglórios é um filme para todos, é a fantasia coletiva, é a redenção das nossas dores.

É um Tarantino melhor, é um Tarantino se reinventando.

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Dica de cinema

30/07/2009

Já faz um tempinho que estou por aqui e ainda não fiz propaganda de um excelente espaço de cinema que temos em Salvador. Sou suspeitíssima para falar, afinal de contas faço parte deste grupo.

SALADEARTE.

São 5 salas de cinema e em breve, muito breve, 7.

Saladearte Cinema da UFBA, no vale do Canela, ao lado da Faculdade de Educação.

Saladearte Cinema do MAM, na Contorno, no Solar do Unhão. Quer lugar mais charmoso do que este?

Saladearte Cinema do Museu, na Vitória, no museu Geológico.

Saladearte Aliança Francesa, na Ladeira da Barra, no prédio da Aliança Francesa.

Saladearte Cine XIV, no Pelourinho, temporariamente fechada (em manutenção). Pretendemos reabri-la ainda em agosto.

E no final de agosto duas novas salas no charmosíssimo Shopping Paseo Itaigara.

A programação é muito cuidadosa. Faz parte do nosso “cardápio” o que há de melhor no cinema nacional e internacional.

Hoje à noite aproveitarei um tempinho livre para assistir ao documentário sobre Caetano Veloso (Coração Vagabundo). Confiram, ele continuará na nossa programação. À partir de amanhã no Cinema do Museu às 17 horas.

Para saber a nossa programação você pode acessar o site www.saladearte.art.br.

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Love Story

17/10/2007

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Miltinho cantava sem parar. Sua voz anasalada podia ser ouvida em toda a cidade: “você mulher, que já viveu, que já sofreu, não minta…”. O auto-falante não precisava anunciar; todos sabiam que era próxima a hora de mais uma sessão.

Na bilheteria uma loira séria, na entada da sala um homem maduro e no alto da casa, escrito em letras que saltavam em relevo, “Cine Jumar”. De onde surgiu aquele nome? Derivado de que? Junção de nomes? Pouco importava.

Lá dentro, algumas fileiras de cadeiras de madeira (sem almofadas) e um público alegre e falante. Alguns casais nas filas que apelidamos de “cadeiras dos namorados”. Elas ficavam no fundo do cinema, um lugarzinho mais escuro, discreto e aconchegante. Passávamos por elas para ter acesso à escada que subia até o local mais sagrado: a sala de projeção. Pelo caminho, nós, tentando parecer invisíveis, íamos prestando atenção em cada detalhe daquelas mãos entrelaçadas, beijos discretos e outros nem tanto. A escada era estreita e, no final dela, a sala de projeção!

Precisávamos esperar que a sirene soasse três vezes antes que a aguardada sessão iniciasse. De repente, a escuridão. Começava o mágico momento em que eu era tragada para um mundo de sonhos e fantasias. Primeiro algumas propagandas, filmes de curta-metragem, desenho animado (o que mais me lembro era de um esquilo que se movia ao som de Bach) e depois o longa. Tudo era sublime, desde o momento em que as luzes se apagavam: a tela sendo preenchida com as imagens, os sons, o barulho do projetor… Em alguns momentos eu era subitamente arrancada daquele sonho: a fita se partia, o filme parava, as pessoas gritavam (“olha o meu dinheiro”) e assoviavam e as luzes acendiam. Era o momento real de “remendar” a fita. Depois, com tudo de novo em funcionamento, a normalidade se reestabelecia. Eu, claro, embarcava outra vez nos meus sonhos. Ora Jane, ora uma “Criatura Que O Mundo Esqueceu”, muitas vezes uma dama de longos vestidos do velho-oeste e outras tantas no lombo do cavalo de Django.

Visitei o mundo à bordo daquele projetor. Meu mundo interno se enriqueceu e inquietou. Eram muitas indagações e muitas respostas também.

Era assídua no cinema. Assistindo através dos buracos da sala de projeção, sentada nas cadeiras ou no pé da escada olhando “os namorados”. Sempre um filme novo.

Um dia Meu Pai desistiu de projetar. Não lembro que esta decisão tenha me causado dor, mas agora traz lágrimas aos meus olhos. Eu não sabia o por quê de ter que ficar sem assistir filmes, ficar sem os meus sonhos. Hoje sei.

Muitos anos se passaram e eu deixei “o cinema” meio adormecido dentro de mim. De repente me redescobri cinéfila e nem sabia o motivo. Que boba! Será que precisava que Giuseppe Tornatore me ajudasse com seu Cinema Paradiso? Que Toto fizesse aquela colagem de beijos e arrancasse uma enxurrada de lágrimas dos meus olhos?

O Cinema é herança do meu pai, um cinema que, de tanto imaginar, acabei por construir no mundo real. Hoje tenho um Cinema. É o mais lindo da cidade! Ele é fruto da combinação de uma herança, amor, sonhos, trabalho, fé e uma pitada ( a gosto) da minha Amiga Infanta!

Que bom pertencer ao mundo real e poder sonhar na imaginação destes diretores. A sala escura do cinema é como um útero quentinho e acolhedor. Não quero sair dela.