Ontem levei sua urna ao mar
Naveguei milhas adentro
e lancei às ondas o que existia de você em mim
o você que nunca existiu.

Ontem levei sua urna ao mar
Naveguei milhas adentro
e lancei às ondas o que existia de você em mim
o você que nunca existiu.

Se esta rua fosse minha
Eu mandaria readiagramar
Faria escadas rolantes
Calçadas brilhantes
Um caminho bem mais fácil de trilhar
Mas se o caminho não é plano
Se as pedras que encontro tropeços me causam
Resta-me caminhar
E nunca, nunca olhar para trás
E jamais lamentar!
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Por isso adoro esta música (deixei apenas os trechos que me refletem neste momento):
Composição: Michel Vaucaire / Charles Dumont
Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu’on m’a fait,
ni le mal, tout ça m’est bien égal.
Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien,
C’est payé, balayé, oublié,
je me fous du passé.
Balayés mes amours,
avec leurs trémolos.
Balayés pour toujours
je repars à zéro…

O meu Minho é o que de melhor há em mim.
Um amor amigo, amante. Gigante!
O meu Minho encontrou-me pura, oxalá me reencontrasse agora, madura.
Queria tê-lo todos os momentos, amá-lo a cada instante.
Quero a delicadeza deste amor, a despreocupação de outrora.
Quero reviver a alegria e leveza que haviam em mim quando Minho era real e me apertava em seus braços.
Quero Minha de volta.

O que comemoramos nos dias dos nossos anos: mais um ou menos um?
Mais um aceno neste longo adeus?

Naquela escuridão absolutamente soturna os pontos de luz mais pareciam vaga-lumes voando preguiçosos, piscando em intervalos longos e sonolentos. Diante daqueles suspiros de luz a vida tentava ressugir. Pouco a pouco, como se ainda lhe sobrassem as preciosas horas que faltam a tantos.
Em alguns milésimos de segundos, intercalados por um interminável instante do mais palpável breu, a vida ressurgia e suspirava. Ela se agarrava àqueles ínfimos pontos de luz e sugava deles todo o ar que lhe era possível. Tentava permanecer viva quando sua vida outra vez caía naquele abismo cósmico. Mas sabia que, agarrando-se aos vaga-lumes, poderia voar e teria à sua volta luz e cor em intervalos regulares e salvadores.
Tentava, em vão, agarrar-se aos pontos intervalados de luz; escorregava sempre.
Mas, mesmo que mergulhada em trevas lúgubres, acreditava que um dia um vaga-lume a resgataria e nunca mais voltaria a submergir naquelas águas noturnas.

Já vivi tempo demais tentando parecer igual. Foram muitos anos de esforço para agradar e mostrar que eu pertencia àquele grupo.
Não tenho mais tempo para viver desagrados, não tenho tempo a perder.

Muitas vezes ela se sentia como uma árvore em pleno outono; seca e vazia.
Parecia-lhe que à sua volta muitas folhas ressequidas e marrons davam adeus à sua morada.
Algum néctar circulava em seu interior, disso ela tinha certeza! Como acessar aquele tanto de vida? A sua energia parecia que minguava e, à qualquer momento, a abandonaria.
Antes tão frondosa, tão sombra! Quantos reunia em sua amigável e aconchegante atmosfera!
E todas as folhas verdes que traziam ar renovado às suas fibras? Que saudade da vida que não mais a circulava!
Onde encontrar vontade de continuar árvore e vida? Como acessar o néctar que a faria prosseguir e outra vez florescer? Como acreditar que novos verões virão?
Era tanta saudade! Era tanta dor!

Um dia, assim sem mais nem menos, sem que você tivesse tempo para se preparar e sem aviso prévio, você faz uma descoberta surpreendente: seu bebê cresceu!
Minha nossa, como os traiçoeiros anos fizeram velozmente sua passagem! Os seus braços não dão mais conta de embalar um garotinho tão grande e bem alimentado! Boi, boi, boi, boi da cara preta… Pára com isso; que mico! Quero “Toda Boa” no meu MP4. Oh… tão tecnológico quanto a mãe, que orgulho!
Mas como dar conta de hormônios que ameaçam aflorar? E o novo colégio? Tão grande, diferente, assustador!
Como lidar com o primeiro amor e as lágrimas que, provavelmente, o acompanhará? Ver o seu bebezinho sempre tão bem cuidado, embalado, lembrar das fraldas trocadas, das noites mal dormidas, dos banhos carinhosos, da massagem no seu corpinho macio, dos cuidados dia após dia, direcionar os olhos para outra mulher pode ser uma experiência dolorosa. Como aquele projeto que só tinha olhos para você, pode, de repente, se “engraçar” por aquela magricela? Ultrajante! Mas esperado! Bom que aconteça, por mais que o ciúme corroa silenciosamente o seu ser.
As dores do crescimento se repetem, para as mães, com todos os seus filhos. Por mais que os deixemos livres para viver, experimentar e sofrer (ah, isso não; que o sofrimento venha em dobro para mim) nunca desgrudamos os olhos deles, sempre enxergando-os com os olhos da primeira vez. Sempre pequeninos e indefesos, sempre necessitando da nossa proteção.
Somos filhos melhores depois que nos tornamos pais. Meu Pai sempre diz que os filhos pagam aos filhos o que os pais fizeram por eles.
Fazemos muito por eles e eles não nos devem nada. Isso é amor em estado puro.
Queremos para nosso bebês apenas uma coisa: o que houver de melhor no mundo. É muito? É o mínimo!
Que amadureçam em paz os nossos pequenos e que sejam para sempre, aos nossos olhos, aqueles projetinhos que acabaram de sair do nosso imenso útero materno.