Ah se lhe fosse dado o enorme prazer de sonhar! Se pudesse acreditar, mesmo que por segundos, que ainda há tempo para recomeçar! Se, ao abrir a janela, o mundo que vê lá fora pulasse para dentro dela e a enchesse de cores!
Quão cinzento seu mundo lhe parece!
Era como se a vida, pouco a pouco, sumisse de dentro dela. Como se o prazer a tivesse abandonado e não restasse planos a traçar. Nada mais a acreditar, ninguém a esperar.
Os lábios molhados de outrora, secara. Úmidos apenas seus olhos e o caminho que as lágrimas traçam em seu rosto magro e marcado. Marcas dos que por ela passaram. Dos que se foram e não ficaram e dos que jamais serão apagados.
Ela sente que desaprende a viver. Que desacredita mais e mais neste mundo que não a pertence. Um mundo que ela tentou imitar, mas que já não sobram-lhe forças para continuar tentando.
Fechem as cortinas, apaguem as luzes e…
Nada de aplausos.