Tenho conhecidos, sendo alguns deles amigos de quem gosto muito, que possuem o hábito de ser sinceros em demasia. Costumo dizer, aos que gosto e quero preservar, que é muito perigoso falar tudo que pensamos e o outro não precisa e nem merece escutar tudo que pensamos dele.
Quando fazemos terapia, o terapeuta vai cuidadosamente descascando a nossa cebola. Mesmo que já enxergue pontos importantes na primeira sessão, ele não pode colocar o que o paciente ainda não pode ouvir. Construímos nossa personalidade em cima de verdades que acreditamos e nos apegamos, estes são nossos alicerces e nos constituímos através destas verdades, mesmo que neuróticas.
Clarice Lispector já nos disse com muita sabedoria: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.
Além de fazer mal ao outro, que não está preparado para ouvir nossas “verdades”, podemos criar uma série de problemas de relacionamento para nós. Podemos dizer tudo que pensamos, claro, desde que estejamos prontos para arcar com as consequências destes atos.
Vivemos em sociedade e é muito importante que tenhamos capacidade de, às vezes, engolir sapos, e muitas vezes calar as nossas verdades. Será que o que nos parece tão importante que seja dito ao outro é verdadeiramente necessário e construtivo para quem vai ouvir? Será que não é apenas um querer egoísta ou até mesmo destrutivo que pensamos ter o direito de dividir com os outros?
Hoje ouvi uma palavra que pareceu-me resumir o que penso sobre os muito verdadeiros; eles cometem SINCERICÍDIO.

