Arquivo da categoria ‘O Poeta É Um Fingidor.’

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Onde andará o meu amor?

22/08/2011

Esperei-te por 243 luas cheias, não chegaste. Minguei!

Sabia que não virias, sequer sofri quando não buzinaste teu carro em minha janela.

Corri como lobo uivando a cada nova lua e acasalei como loba faminta em braços que não eram teus.

Fingi amor, nunca prazer. Este me é natural e intenso.

Fingi amor que acreditei existir, sempre esperando ser surpreendida com tua súbita chegada.

Apareceste um dia quando, minguada, não acreditava mais no amor. Voltei a sorrir e pensar: sei que merecia viver este amor.

Esperei-te por mais duas luas… nenhum sinal.

Sabia que virias, esperava tua chegada apressada e sedenta. Não chegaste.

Onde andarás?

“Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você…
Onde estará o meu amor?
Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim
Onde estará o meu amor?”
Chico César

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Eu Vou Navegar

31/03/2011

Tô meio que no mar

no meio do mar

ondas curtas e longas

esperando sinais

frequências moderadas

Enviando sinais

ondas curtas

navegando

Saboreando vento e tempestades

Engolindo água

chuvas e lágrimas

rindo para o sol que arde

e me fecha os olhos

atenta aos perigos

que me abrem os olhos

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Rapte-me

09/02/2011

Se me quiser, queira-me com força

Queira-me com urgência

Não me deixe escapar

Queira-me inteira, sem reservas

Se me quiser, capture-me

Já!

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De Olhos Bem Fechados

20/01/2011

Não quero dormir, quero passar a noite inteira com os olhos abertos olhando você

Ou fechados, beijando-o

Fechados enquanto emito gemidos de prazer

Com suas mãos a explorar meu corpo

Com seus lábios que vão a todos os lugares,

sem pudores

Quero expor minha nudez ao seu corpo macio

e tocá-lo enquanto fala com sua voz grave ao meu ouvido

palavras apaixonadas

sussuros

palavras safadas

gemidos

Quero ser tua esta noite

e todas as noites daqui pra frente

tome posse de mim e explore a minha alma sedenta

o meu corpo suado e arfante

Seja inteiro meu e repouse um pouco dentro de mim

sobre meu corpo

sob meu corpo

ao lado

de lado

na frente

atrás

Possua-me calma e selvagemente

não me dê chance de nãos

faz-me vibrar de prazer e gozo

Eu entenderei que não há volta

Estou entregue, sou sua!

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A Arte De Te Perder

28/10/2010

 

Perco você cada dia um pouco mais. Perco dentro de mim, não acho-o mais!

Suze Argollo

 

Uma Arte

A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.

(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)

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Suas Mãos em Mim

06/10/2010

Não vivo sem suas mãos em mim

Mãos que desenharam caminhos

Caminhos que levaram-me ao cume

Que saudades das suas mãos

Grandes, morenas, atentas

Mãos que liam cada pedaço do meu corpo

Que decoravam cada milímetro da minha pele

Mãos do prazer

Outras não descobrem o caminho

Outras apenas tateiam

Outras tentam conhecer o que pertence apenas a você

Passeiam por terras estrageiras

Tentando inutilmente possuir

O que é seu

Não vivo sem suas mãos em  mim

Não vivo

Nunca mais

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IMPOSSÍVEL

29/09/2010

O amor se fez urgente e ela não mais aguardaria os quilômetros

A paixão se fez presente e ruidosa

Molhada

Impossível desprezá-la

Impossível vivê-la

Impossível resgatá-la.

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Mãos Inúteis

29/09/2010

Nos pertencemos menos a cada dia

somos mais estranhos

Você tão longe, quase não mais me habita

Eu tão distante, distanciando-me mais a cada revelação

Pertencemos a outros mundos

A outras mãos e membros

Não mais nos acariciamos

Substituímos por outros corpos

onde inutilmente procuramos um ao outro

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Vem

09/07/2010

Chega mais perto

Deixa eu ler eu te amo em você

Nos seus olhos

No seu corpo

Vem ser o amado esperado

Traga-me o inesperado

O que jamais ousei sonhar

Vem pertinho

Traga-me tranquilidade

O novo

Renova-me

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A Sorte de Um Amor Tranquilo

30/06/2010

Ai, quem me dera nada a temer!

Fluir preguiçosamente, segura e altiva!

Ai quem me dera amar sem sustos, jamais sobressaltos.

Seguir tranquila como um rio que nunca enfrenta chuvas nas cabeceiras.

Ai quem me dera inverter prioridades, cuidar melhor de mim. Produzir sem cortes.

Dormir sem pesadelos, acordar sem apertos no peito.

Ai quem dera ser sua, única e exclusivamente sua.

Ai quem dera fosses meu, única e exclusivamente meu.

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