Meu amor vai fazer anos
Faz anos que não vejo meu amor
Meu amor partiu de mim
Partiu-me meu amor
Faz anos que partiu
Faz anos que partida me deixou.

Meu amor vai fazer anos
Faz anos que não vejo meu amor
Meu amor partiu de mim
Partiu-me meu amor
Faz anos que partiu
Faz anos que partida me deixou.

Preciso de alguém que precise de alguém também.
Preciso que me queira como eu o quero.
Preciso do desejo em seus olhos e membro.
Preciso dos seus planos antes dos meus.
Preciso ver este menino, preciso de inspiração.
Preciso saber por que não.
Por que comigo não.

Eu não relembro o dia que decidi nem o que desisti de você
Não existe o registro
Não houve momento certo
Você foi me envolvendo
E depois fomos nos perdendo
Mas nunca tirei-o de dentro de mim
Apesar de não haver mais imagem sua
Nem o som da sua voz
Nem o cheiro da sua pele
Você esmaeceu em mim como suas fotos na minha gaveta
Nada mais há
Nem o amor, nem a dor, sequer a solidão do depois
Você existe apenas numa foto amarelada
e não dói.

Você sussurou palavras doces em meu ouvido
E eu vislumbrei uma vida serena
Você, meu encanto, chegando sorrateiro e me envolvendo em seus longos braços
Iríamos dar risada, nos olhar languidamente e guardar a libido para horas mais tardias
Sentaríamos a falar do dia e tomar café enquanto o tempo escorreria mansamente ao nosso redor
E nada seria surpresa!
Toda a previsibilidade da nossa vida ficaria estampada nessa conversa alegre
E a monotonia, a repetição dos atos simples e afetuosos nos tornaria apaziguados
E dia após dia construiríamos um amor calmo desta vida esperável
E tudo que buscaríamos no outro seria a certeza de encontrar
E nos espelhar

Sempre tive fascínio por loucos e por contos de fadas. Um dia li um poema que jamais minhas retinas apagarão:
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Este é o poema Ismália de Alphonsus de Guimaraens.
Você pode perguntar: onde está o conto de fadas?
Na torre; aquela que abriga princesas à espera do seu amor eterno. Pelo menos até o “foram felizes para sempre”.
Tenho um plano que tentarei por em prática ainda este ano: quero fazer uma série de fotografias com torres e loucos.
Ismália está gravado em mim!

Há petálas arrancadas no caminho
Como a marcar a passagem por onde devemos
Arrancadas, pétalas não colam
Nunca mais pétalas em flor
Nunca mais flor
Nunca mais caminhos.

Na torre encantada do palácio em meio ao pântano
Havia uma princesa solitária e linda
A princesa tudo enxergava
A todos
Seus olhos atravessavam enormes campos
Seu olhar podia penetrar
A todos
Era alta sua torre
Tão alta, que dela podia avistar o além horizonte
Tudo sabia a solitária e linda
Princesa que tudo avistava
Tudo tão distante e tão lindo
Tão assustador o mundo visto
Do ângulo que tudo avista
E contempla
Um mundo não vivido
Mas contemplado
Da alta torre que a vista tudo avista
Quem ousaria aproximar-se da torre
Tudo avista e tudo sabe
A torre que acolhe a princesa que nada vive
Tudo avista
E admira a vida contemplada
E contempla admirada a vida não vivida
Quem admira a vida
E vive o que contempla
Ousaria aproximar-se da admirada
Princesa que contempla
De além montanhas e muralhas
Do alto da torre que tudo avista
Vencer o pântano e montanhas
Subir muralhas que a vista esconde
A visão para a admirada princesa
Que tudo avista
Como chegar à bela solidão da princesa
Como enfrentar o dragão que a protege
De viver a vida avistada
A coragem de viver e a ousadia de ver
Levariam o príncipe a avistar a admirada
Princesa que leva em seu coração a vida avistada
E pegar a única arma que imobiliza
O dragão que a protege de viver a vida admirada
No coração da princesa solitária
A arma que lhe trará à vida
Quem ousar tocar o coração da bela
A trará para a vida que admira
E a terá admirada e amada
E a princesa admirará
A vida que avistava
E amará o corajoso príncipe
Que ousou tira-la da torre
Para viver o que avistava.
Suze
03/10/06