Esperei-te por 243 luas cheias, não chegaste. Minguei!
Sabia que não virias, sequer sofri quando não buzinaste teu carro em minha janela.
Corri como lobo uivando a cada nova lua e acasalei como loba faminta em braços que não eram teus.
Fingi amor, nunca prazer. Este me é natural e intenso.
Fingi amor que acreditei existir, sempre esperando ser surpreendida com tua súbita chegada.
Apareceste um dia quando, minguada, não acreditava mais no amor. Voltei a sorrir e pensar: sei que merecia viver este amor.
Esperei-te por mais duas luas… nenhum sinal.
Sabia que virias, esperava tua chegada apressada e sedenta. Não chegaste.
Onde andarás?
“Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você…
Onde estará o meu amor?
Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim
Onde estará o meu amor?”
Chico César
