Arquivo da categoria ‘Ser ou não ser.’

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O SER E O NADA

24/11/2009

Não entendo por que tentamos trazer para o real a matéria dos sonhos, ou mesmo dos devaneios.

Existem paixões que só devem ser sonhadas, o real não a traduziria. Existem sonhos que não caberiam na vida acordada.

Mas não somos só matéria, algo me escapa no momento da definição do ser. Algo que não vejo, não consigo provar, portanto não entendo e busco não acreditar.

Digo que somos energia aprisionada dentro de um corpo, assim como a energia das pilhas alcalinas. A morte é a liberação desta energia, que passará a tomar parte do todo. Não seremos mais um ser pensante, não seremos mais o que conhecemos como ser humano.

Ouvi um monge budista falar sobre uma garrafa cheia de água que segue boiando no oceano. A garrafa tem medo de partir-se. Ou o medo seria da água que está dento da garrafa? Assim nos sentimos em relação à morte, não queremos ser gotas a mais neste oceano, queremos a unicidade da garrafa, a barreira do corpo que aprisiona nossa energia e nos constitui como ser. A quebra da garrafa é equivalente à morte do corpo: a água flui para o oceano, passando a fazer parte daquele todo. Com a morte do corpo a energia liberada se juntará à energia que existe no cosmos e seremos parte deste todo cósmico.

Este é o meu Deus! Um Deus que nada tem de único e especial, que nada criou e nada acabará! Meu Deus é ciência e energia. Meu Deus é lógica e realidade! Sinto-me só sem este Deus que quase todos têm. Sinto-me desamparada sem esta fé que acalma e abranda as dores.

Sou só questionamento: para que serve tudo isto? E sabe o que me respondo? Para nada! Somos apenas composições químicas agrupadas em forma de ser humano, que nomeamos assim. Acabaremos como tudo acaba. Nascemos com prazo de validade e quando ele se extinguir nada mais seremos. Já imaginou a eternidade? Ser nada por toda a eternidade? É muito mais fácil acreditar em Deus!

Mas que pena, nunca trilhei o caminho mais fácil!

Um pouco de Fernando Pessoa para poetizar a dura realidade:

“Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a ação humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.”

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Podres Poderes

21/11/2009

A vida não é tão dura quanto sugere a razão. Nada pode ser avaliado apenas sob a ótica cartesiana do racional. E sabe por que? Porque sentimentos muitas vezes podem sobrepor o que é lógico e certo.

Quem fala isto é uma pessoa totalmente matemática e cartesiana. Uma pessoa que baseia sua vida no que é certo e irrefutável. Aceita apenas a verdade e nega tudo que não pode ser provado.

Alguém que, como Descartes, o filósofo que publicou o  “Discurso sobre o Método para Bem Conduzir a Razão a Buscar a Verdade Através da Ciência”, só tem olhos para o real.

Mas esta pessoa acorda um dia e pensa: há muito mais entre o céu e a terra do que acredita nossa hermética lógica.

Como filosofa Caetano: “será que apenas os hermetismos nos salvarão destas trevas?”.

 

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Solange?!?!? Eeeuuu?!?!?!??

15/10/2009

Estou de volta a Salvador após 5 dias de passeio por Sampa. Desta vez foi ótimo; nada de trabalho, responsabilidades, visitas, hora marcada…

Passeei pela Paulista, fui a lojas e livrarias que adoro, fui ao Pacaembu assistir a Santos X Vitória (cômico e trágico ficar na torcida adversária fazendo de conta que é um deles), cinema, bares, amigos e muito mais.

Agora, de volta, estou envolvida com mil filmes do Festival, palestra do Fronteiras do Pensamento e mais trezentas atividades do dia a dia.

Uma coisa me deixou pra lá de feliz: estamos na Revista Muito do Jornal A Tarde do último domingo, eu e os meus sócios da Saladearte. O que me deixa tristinha é o fato do meu nome ter saído errado (Solange). É um absurdo! Logo eu, que sonho ser famosa!

Mas tudo bem, aquela da foto é mesmo Solange! Cara enorme, papada… Eu, 6,55 kg mais magra, não sou aquela. Minha dieta está dando resultado: 22 dias e 6,55 kg a menos. Sucesso!!

Mas a foto tá bem bonita e a reportagem muito bacana. Adorei!

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Liberdade

21/09/2009

O que nos torna livres não é o fato de poder fazer, mas sim o de poder escolher. E quanto mais formos conscientes de que podemos realizar escolhas e as fizermos, mais amadurecidos seremos.

Não precisamos sair por aí satisfazendo todos os nossos desejos. Não, isto não é liberdade. Estar preso a um desejo e não sossegar enquanto não o tiver satisfeito é o inverso de liberdade. Pense em um dependente químico e esta idéia será facilmente compreendida.

Poder dizer não a uma tentação, fechar a boca a uma maravilhosa torta de chocolate, negar o convite daquele gato que povoou seu sonho por anos é liberdade. Liberdade de trocar efêmeros segundos de satisfação do paladar ou algumas horas de sedução e brincadeiras sexuais por algo mais duradouro e palpável.

Escolher é difícil e significa, também, renunciar. Quando optamos por algo, abrimos mão de outros “algos”. São sentimentos e sensações que poderão ficar perdidas e, muitas vezes, aquela sensação de que o caminho poderia ter sido outro.

Mas às vezes a decisão parece fácil. Enxergamos à nossa frente dois caminhos muito distintos e sabemos, racionalmente, qual escolher. Mas nem sempre tomamos o caminho certo, ou o que julgamos certo. E adiar escolhas é decidir. Se não conseguimos escolher qual caminho seguir, na verdade já decidimos e estamos seguindo por um caminho, afinal a vida não para.

Portanto não demore em dar rumos à sua vida: escolha!

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Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida!

17/09/2009

pegadas-neve-por-do-solNão, não vou começar uma dieta para emagrecer tudo que me sobra e depois voltar a cair na farra. Não resolvi que vou malhar até cair no chão de cansada e voltar a ficar de pernas para o ar quando as minhas pernas estiverem lisinhas e durinhas.

Tenho mais de 40, passei (há muito) da fase em que me olhar no espelho e me enxergar magrinha era o nirvana. Agora a saúde vem muito antes da estética!

Quando jovens pensamos que este dia nunca chegará, que nunca precisaremos parar de comer panelas de brigadeiro, afinal nossa glicose está sempre normalzinha nos exames de sangue! Por que não comer suculentas picanhas se o colesterol tá lá controladinho da silva? Ah, como diz minha amiga Lia, que saudades do tempo em que eu era jovem e feliz!

Jovem? Posso me tornar e me sentir. Feliz? Ah, isto não é previlégio do jovens, muito menos dos jovens e magros (bom, disso não tenho tanta certeza!).

Sabe o caminho? O intricado e emaranhado labirinto da “mudança de hábitos”.

Por isso não vale uma dieta radical e uma academia com três meses de imersão! Valem atitudes do dia a dia. Sei o que devo fazer, sei o que está emperrado e que precisa ser mudado. Todos sabemos não é mesmo?

Uma mudança na alimentação, inclusão de atividades físicas, parar de postergar afazeres, incluir lazer no dia a dia, deletar coisas e pessoas que nos fazem mal, fugir dos vampiros de energia… Tudo isso faz bem a todos.

Para mim? Além do que citei acima vale: um pouco de sol de vez em quando, caminhadas à beira mar, dias de “nada para fazer” na minha casa de praia, sonhos românticos, massagens, dar andamento ao meu outro blog sobre alimentação, idas mais frequentes ao salão de beleza (quer coisa mais feminina do que salão de beleza? Admita, é uma delícia ser mulherzinha)…

Hoje nem é segunda-feira! Não é incício de mês ou de ano. Não é virada de lua ou de estação de ano. Não acabei e tampouco comecei um grande amor. O dia está na metade e decidi: é hoje, não posso mais adiar!

Adiei estas atitudes por mais de 20 anos! Será que ainda posso esperar mais? Minha saúde me cobra. meus joelhos e articulações gritam, meu coração reclama, minha respiração falha, as bactéria e vírus se aproveitam. Não dá, é hoje! O dia é hoje!

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Por que mulheres não compram cigarros?

27/08/2009

mulheres e cigarrosQuando eu era pequena escutava umas histórias intrigantes e cresci pensando nelas. Uma destas histórias era de pessoas que um dia inventavam uma desculpa qualquer, saíam de casa e desapareciam para sempre. Estranho não? A pessoa ficava farta da própria vida e tinha medo de reinventá-la junto com aquelas pessoas que estavam ao seu redor. Radicalizavam, mudavam tudo. Era parecido com morrer e reviver.

Observei que em todas as histórias contadas com este conteúdo o protagonista era homem. Fiquei a pensar no porquê desta estranha escolha que acomete os indivíduos do sexo masculino.

As mulheres sempre me pareceram mais angustiadas e questionadoras. Parecem querer mais do mundo e sempre estão insatisfeitas. Então por que não as mulheres? Por que não largam tudo, desconstroem de vez e partem definitivamente para o novo? Resignação?

Acho que a explicação está no fato de que, ao questionarmos, conseguimos transformar e isto nos faz reinventar, dia a dia, nossa vida.

Além disso mulheres são fábricas de seres e emoções. Só mulheres gestam, só mulheres parem. E isto faz com que nós sejamos mais firmes nos nossos laços, mais responsáveis com nossos afetos e conquistas.

Nós não nos reinventamos largando toda a nossa vida para trás (incluindo as pessoas). Esta vida já fez marcas dentro de nós e somos o resultado de tudo que escolhemos viver. Mesmo que resolvamos sair para comprar um cigarro e desapareçamos para sempre, carregaremos em nós as marcas da vida que pensamos ter deixado para trás.

É inútil tentar fugir desta verdade.

Eu jamais deixarei de ter dentro de mim uma cidade do interior. Jamais deixarei de ser Suzana Mércia Gomes Argollo, criada na pequena cidade de Itagi-Ba. Nunca, nem gostaria que acontecesse, deixarei de pertencer à familia que pertenço. Posso me reinventar, me reconstruir, mas não escaparei do que já percorri. Posso mudar meu destino, de profissão, de amor, até mesmo de time de futebol, mas continuarei carregando dentro de mim as marcas da vida vivida e os afetos que acumulei ao longo destes anos.

Mulheres são estranhas né? Mas confie, nós não saímos para comprar cigarros.

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Afrodite ou Atena?

21/08/2009

Atena, Hera e Afrodite

As marcas no meu rosto contam a história da minha vida. Muito caminhei e lutei para tê-las, apesar de ter tentado, com muito custo, não possuí-las.

Envelhecer não é fácil! Principalmente em nosso mundo ocidental onde a juventude e beleza prevalecem diante da experiência e sabedoria.

A qual deusa escolheremos adorar? Afrodite? Atena? Adorar a uma deusa não significa desprezar a outra, mas na prática nunca conseguimos distribuir igualitariamente nossas preces.

Recolher-se no seu templo interno e poder olhar confortavelmente à sua volta é um luxo que podemos conquistar. Um templo bem cuidado e acarinhado sempre nos aconchegará e nos dará a sensação de pertencer. Por acaso você nunca se olhou no espelho e teve o desconforto de perceber que aquele corpo não cabe em você? Ou você não cabe nele? Tipo: sai que ele não te pertence!

Cada marca na nossa pele pode nos parecer um sinal de decadência ou de força, tudo depende como encaramos as expriências e nosso processo de envelhecer.

Pode-se aprender a cada dia que somos grandes e capazes de fazer ao outro e a nós mesmos muito felizes.

Do que depende a felicidade? De um belo corpo, torneado e marombado? Um rosto angelical? Da compreensão de si e do mundo? Dos afetos que recebemos e distribuímos gratuitamente? Do prazer de uma conversa animada ou densa? O que você possui para ser feliz? O que você tem em si para ajudar os outros a serem felizes?

Pense em todas as suas habilidades e conquistas e perceberá o quanto possui de bagagem para distribuir consigo e com o outro!

Juventude é uma dádiva (passageira), experiência uma conquista que levará consigo até o final dos seus dias.

Quanto mais aprendemos, mais descobrimos que a felicidade está no simples, no primitivo, no mais intrínseco do nosso ser.

Como diz  Caetano:

Tempo Tempo Tempo Tempo 

Compositor de destinos, tambor de todos os ritmos 

Tempo Tempo Tempo Tempo entro num acordo contigo 

Tempo Tempo Tempo Tempo
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Flor e Bela

18/08/2009

Há alguns dias escutei uma música que me fez pensar em um momento especial da minha vida: “é de um falso amor que eu preciso, que seja sem dor e me bajule o ego, não, não quero mais amores cegos prá não machucar o meu peito sofrido”.

E como os seres que não nasceram “feijão com arroz” trafegam seus pensamentos na velocidade da luz, rapidamente passei a Florbela Espanca e seu magistral “Mentiras”.

No enunciado deste belíssimo poema Florbela cita J. Dantas: “Ai quem me dera uma feliz mentira
que fosse uma verdade para mim!”

E encerra:

“um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!

Quem me dera ser flor e bela e contentar-me com mentiras. Quem me dera a ilusão!

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O que quer uma mulher?

25/07/2009

Costumo dizer que não busco uma pessoa perfeita, mas uma imperfeita que se encaixe em mim.

É imprescindível que saibamos que existem características com as quais não convivemos e características sem as quais não convimemos.

Fiquemos atentas. SEMPRE!

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ON / OFF

22/07/2009

on-off

Ainda bem jovem, li uma frase num livro que à primeira vista me pareceu sem sentido: “Quando a gente anda sempre para frente, não se pode ir mesmo longe” *. Como assim? Quem anda para frente vai longe, pensava.

Refleti muito sobre a frase, consegui entendê-la e passei a concordar inteiramente com ela. Para crescermos é necessário que enfrentemos a vida e que tomemos decisões a cada bifurcação ou mesmo ao longo de estradas retas. Muitas vezes precisamos voltar um pouco (ou muito), fazer rodeios, girar sobre nosso próprio eixo, entrar em picadas que ao final concluímos sem saída, deixar a estrada principal para seguir marjeando-a… Não são apenas retas, são curvas, muitas curvas que fazem nosso caminho.

Decidir e depois mudar é comum e necessário.

Muitas vezes me considero contraditória: Suzana ou Mércia? Não poderia deixar de ser duas uma pessoa com dois nomes próprios tão fortes e tão díspares!

Uma das minhas contradições dizem respeito à tecnologia. Adoro inovações, me curvo a elas, consumo-as, mas vivo me atritando com o novo. Gosto apenas dos benefícios, mas este mundo tecnológico nos trás também muitas perdas. Uma delas é a privacidade (imagina uma blogueira falando em privacidade, que contraditório!). Só que pode parecer mais contraditório do que na verdade é. O que gosto é de poder escolher e desejar. Se faço um blog, optei por isto, vou escrever e colocar na vitrine apenas o que me interessa expor.

O desejo é algo que podemos perder se não ficarmos muito atentos.

Você já parou para imaginar a revolução que é o celular na vida das pessoas? Muitos benefícios, muitos! Poder resolver problemas a qualquer hora, marcar e desmarcar compromissos, encontrar pessoas, saber onde anda seu filho adolescente e outros inúmeros prazeres. Mas este é o seu lado “ligador”, apenas o lado de quem faz a ligação. Já pensou em quem as recebe? E você como recebedor está sempre disposto a apertar aquele botãozinho e atender àquela chamada?

Sem falar que celular é quase como um bip que existia antigamente. Alguns profissionais ficavam bipados e eram pagos por isto. Hoje ficamos bipados 24 horas e “ai de nós” se, por alguns minutos, ficarmos desconectados do mundo!

Mas não ganhar por estas “horas extras” é apenas um pedaço (e pequeno) do problema. O que acho pior é que nos tornamos cada vez mais sujeitos aos desejos do outro, logo, logo, correremos o risco de não mais desejar, o que pode ser mortal. Quantas vezes escolhemos sair para jantar com uma amiga que não encontramos há algum tempo e mal conseguimos conversar porque os telefones não nos deixam prosseguir? A quem estamos satisfazendo nesses momentos? Ao desejo do outro claro! Na maioria das vezes à urgência do outro.

Esta é outra questão: urgência! Não sabemos mais esperar. Queremos ser atendidos naquele momento, sem demora. Onde fica a contemplação, o momento de espera que nos leva a pensar e fantasiar? Tudo isso perdido!

Pensar nestas perdas me leva a desejar morar num cantinho sossegado, onde o tempo passe num ritmo lento e leve, onde celulares não toquem e as notícias cheguem em cartas esperadas e fantasiadas por dias.

Pense que seu sossego pode estar mais perto que este lugar bucólico e rupestre que às vezes povoa meus sonhos. Pode estar a apenas um toque. Sabe o botão on/off?!?! Sim, desligue, ligue-se em você!

*O Pequeno Principe – Antoine Saint-Exupery