
Nada mais a querer
Apenas torcer para que as horas passem
depressa demais as horas
Para que tudo torne
Nada mais entorne
Tudo em torno do senhor da razão
Oh tempo, tempo, tempo
Alivia-me a dor.


Nada mais a querer
Apenas torcer para que as horas passem
depressa demais as horas
Para que tudo torne
Nada mais entorne
Tudo em torno do senhor da razão
Oh tempo, tempo, tempo
Alivia-me a dor.

Saciados, é assim que nos sentimos ao saborear a vingança que Tarantino nos oferece no seu maravilhoso Bartados Inglórios. Não é um tratado sobre a vingança o que Tarantino nos propõe, mas sim uma fantasia sobre ela.
A crueza dos Bastardos não nos choca, a vontade que temos é de nos unir a eles e, juntos, praticar as atrocidades.
Quem nunca devaneou comer, quente ou frio, o prato da vingança? Quem já não arquitetou a sua história de saída honrosa após ter sido humilhado, rejeitado, magoado, tripudiado… Tarantino arrumou seu sonho com maestria estética e nos presenteou com sua (nossa) vingança. Ornou-a com músicas elegantes, câmera precisa e atores de primeira.´
Saímos não só fartos, mas também vingados.
Bastardos Inglórios é um filme para todos, é a fantasia coletiva, é a redenção das nossas dores.
É um Tarantino melhor, é um Tarantino se reinventando.

Ontem foi seu aniversário, parabéns pra você!
Não, não esqueci. Nunca esqueci, nem um ano sequer deixei de lembrar de você neste dia.
Você não é uma lembrança que dói, não é uma chaga em mim. É uma lembrança gostosa, a recordação de um amor sem fim.
Sim, você foi o melhor, você foi o maior.
Você é o único!
Você Minho, “minho” para sempre.

Estou de volta a Salvador após 5 dias de passeio por Sampa. Desta vez foi ótimo; nada de trabalho, responsabilidades, visitas, hora marcada…
Passeei pela Paulista, fui a lojas e livrarias que adoro, fui ao Pacaembu assistir a Santos X Vitória (cômico e trágico ficar na torcida adversária fazendo de conta que é um deles), cinema, bares, amigos e muito mais.
Agora, de volta, estou envolvida com mil filmes do Festival, palestra do Fronteiras do Pensamento e mais trezentas atividades do dia a dia.
Uma coisa me deixou pra lá de feliz: estamos na Revista Muito do Jornal A Tarde do último domingo, eu e os meus sócios da Saladearte. O que me deixa tristinha é o fato do meu nome ter saído errado (Solange). É um absurdo! Logo eu, que sonho ser famosa!
Mas tudo bem, aquela da foto é mesmo Solange! Cara enorme, papada… Eu, 6,55 kg mais magra, não sou aquela. Minha dieta está dando resultado: 22 dias e 6,55 kg a menos. Sucesso!!
Mas a foto tá bem bonita e a reportagem muito bacana. Adorei!

Eu sabia que tudo seria diferente quando eu chegasse aqui, estava certa!
Primeiro uma temperatura de 15 graus. Delícia andar na rua, visitar os lugares, me arrumar… Depois o melhor: almocei com meu ídolo Contardo Calligaris. Devo confessar que nutro por Contardo uma idolatria quase juvenil: rosto rubro, mãos geladas, voz trêmula! O almoço?!?! Ah, pra que detalhes?!?!?!
Hoje o dia esquentou um pouco. De manhã um passeio pela história do centro, depois encontro com os amigos num bar efervercente. O Brasil perdeu para a Bolívia?!?!?! Sério?!?! Nem me dei conta!
Notícias boas, e-mails revigorantes e um banho salvador.
Agora um pouco de descanso que a noite só começou.
É a vida se reinventando!


Alguém merece um voo às 7 da manhã? Mas isso é só o começo.
Início de um final de semana prolongado, cinco e meia da manhã, estacionamento lotado e aeroporto idem. Mas tudo bem, é uma viagem de lazer e promete diversão. Só que tem mais um pequeno detalhe: atraso! Fazer o que? Apanhar meu little notebook e tentar teclar em meio ao barulho e avisos estridentes das companhias.
Calma, nada de perder o bom humor, nem mesmo com a desculpa da TPM. Afinal a menstruação chegou hoje e a vontade de morder as pessoas é quase incontrolável! Mas como sou uma pessoa contida, faço cara de feliz e engulo meu instinto de destruir o mundo! Acha que exagero? Você nunca deve ter tido TPM!
Sei que tudo ficará melhor quando chegar ao meu destino, encontrar as pessoas e começar a programação planejada.
Don’t Worry, Be Happy!


Ela subitamente parou e olhou-se no espelho: quem era aquela mulher refletida? Não reconhecia!
Bastaram alguns dias para que sua vida desse tal reviravolta, que nem o seu rosto era mais o mesmo. Não havia mais o olhar inocente e compreensivo. Esvaíra-se o olhar bondoso e complacente com o outro.
Seu corpo em riste parecia pronto para um bote inesperado, a impressão era que aguardava iminente ataque. Seu olhar era como o de um felino em plena caça: concentrado, compenetrado, profundo, em alerta!
Sabia que nunca mais voltaria ao ponto incicial.
-Nunca mais!
-Nunca mais!
-Nunca mais!
Estas palavras vibravam em sua cabeça como o tilintar do sino da missa das seis da sua distante Itagi. Era hipnotizante.
O ruído do sino doía em sua alma como se a cortasse em pedaços tão pequenos que mal daria para enxergá-los. Nano pedaços.
Nunca mais teria o que teve antes. Nunca mais a crença infantil, o doar sem barreiras, a entrega total. Nunca mais um amor sem reservas.
Sentia que nascera dela uma outra. Melhor? Pior? Diferente.
Uma outra que jamais permitirá o abandono, as conversas cortadas, o desabafo rejeitado, a súplica surda!
A dor não a judiava, mas a raiva a matava!
Como permitira? Como se deixara levar por infame mentira? Como deu-se tão inocentemente sem reservas?
Havia TUDO sido uma grande mentira. Mais de mil dias de MENTIRA!
E pensar que chegou a pedir desculpas por ter sido usada, abusada, enganada, magoada… Quanta bondade havia em seu coração de outrora!
Outrora, quando eram inocentes os seus olhos, quando era sem reserva o seu amor, quando o castelinho de fadas ainda a acolhia. Agora, aquela refletida no espelho perecia cuspir pelos olhos palavras ácidas e perfurantes.
O que tinham reservado para ela era por demais cruel. Ela sabe que não merecia, sabe que não merecia…
Mas agora acabou-se. Foi-lhe retirado o castelinho, o mundo caiu, os muros desabaram e ela ouviu e viu toda a verdade que lhe haviam negado por tanto tempo! Quanta crueldade Deus!
Não há o que entender, não há o que perdoar, nada a relevar. Há apenas um ódio profundo. Ódio que substituiu a surpresa e dor da revelação. Nada pior acontecera em sua vida, nem a mais vil criatura fora capaz de tamanha baixeza. Ela jamais poderia supor que passaria por algo de tamanha sordidez. Já não tinha tanta certeza da necessidade de poupar aquele ser que, agora para ela, rasteja como um réptil nojento pelos infernos das compulsões. Ela não matará a si para poupá-lo. NUNCA!
Mas há também a sua insuperável pulsão de vida, seu inesgotável poder de recuperação e sua incrível vontade de recomeçar.
É a vida se reinventado.


Para saber detalhes, visite o site:
http://www.saladearte.art.br/festival/
Ou o blog do Festival:
http://circuitosaladearte.wordpress.com/


Ontem tivemos mais uma celebração na Saladearte: fizemos uma festa para anunciar a abertura do nosso 6º Festival de Cinema.
Para que a festa ficasse bonita e a diversão fosse garantida, corremos muito, trabalhamos muito. E a trabalheira valeu a pena.
Ontem passei o dia correndo para ajudar a equipe do Festival nos preparativos: bebidas, brindes (este merece comentário), checar lista de convidados, checar material gráfico, etc, etc. Tudo feito, às nove estava linda e loira na festa.
Foi deliciosa! Muita gente divertida, muitos elogios ao novo espaço, conheci pessoas para lá de interessantes e me diverti de montão. Até uma pseudo barraca de beijos eu montei. Sucesso!
É bacana estar num lugar onde nos sentimos confortáveis e bate aquela sensação de pertencer: é a nossa tribo! Adoro pessoas inteligentes e ontem me deliciei com elas.
Os brindes: lindas camisetas junto com mimoso saquinho com adesivos, cuidadosamente embaladas em caixas bacanérrimas, dentro de uma sacola moderna. Este foi o mimo que a Mito nos reservou. Obrigada a João, sempre um super parceiro do Circuito Saladearte.
A equipe que está à frente do Festival tem trabalhado muito. Para que um evento deste aconteça, são dias e noites de extrema dedicação ao projeto. Parabéns a todos!
Exibiremos quase 100 filmes em diversas mostras, sendo muitos deles inéditos no Brasil. Não percam a chance de ver algumas películas que provavelmente não entrarão no circuito. Além dos filmes, receberemos convidados (diretores, atores, críticos) que participarão de debates que rendem deliciosos encontros com a platéia!
O Festival estará em todas as salas do Circuito, incluido a Saladearte Cine XIV, no Pelourinho, que será reaberta hoje. O XIV terá em sua programação apenas filmes nacionais e sua reabertura atende a diversos pedidos do nosso público. É uma imensa alegria reabrir esta sala!
Após a festa o trabalho continua. O Festival, que acontecerá de hoje até dia 22 deste mês, será, com certeza, um sucesso!

Você acha que podemos ser maus? Lars Von Trier tem certeza!
AntiCristo, considerado por muitos um filme menor deste genial diretor, é o maior dos maiores. Magistral, fenomenal, visceral!
O filme que em algum momento afirma que os sonhos não importam para a psicologia moderna, que Freud morreu, pode ser totalmente analisado à luz da psicanálise.
Falam que LVT estava em depressão quando fez este filme, acredito! Só alguém completamente atormentado conseguiria descer tão fundo nos porões da nossa psiquê.
Resolvi me despir totalmente para assistir ao espetáculo de Anti Cristo. Entreguei-me de corpo, alma, vísceras, coração, membros para entrar nesta catarse cinematográfica. Todos o meu ser, todos os meus poros, toda a minha alma, a minha consciência e inconsciência se entregaram a este filme.
Jamais tive medo de assistir a um filme, mas sentei-me na cadeira e bastante ansiosa respirei fundo e pedi forças para suportar. O que estava por vir era muito maior, mais forte, mais denso e chocante do que poderia supor.
Foi a mais rica experiência cinéfila que já tive em toda a minha vida. Após o final fiquei paralisada na cadeira e ao me levantar minhas pernas estavam bambas. Todo o meu corpo pulsava com as emoções deste incrível filme.
LVT fala das dores e das mazelas do ser humano. Nunca um autor tinha retratado com tanta clareza nossos porões, o que temos de mais escondido.
No início uma morte e um luto, um luto que se mostra diferente dos demais e demonstra que algo de estranho existe naquele ser que sofre. Nunca devemos duvidar das evidências que nos são mostradas, nunca deveríamos duvidar que aquela mãe sofria não apenas pela morte do filho, mas pela descoberta do ser demoníaco que trazia dentro de si. No primeiro momento apenas a dor. Ao tentar entrar em contato com a dor com a juda do marido terapeuta, ela também entra em contato com seu lado sombra, com seu feminino demoníaco. Alguém não possui? Atire a primeira pedra os que não escondem verdades irreveláveis. Mas existem verdades mais irreveláveis do que outras. Algumas são como tabus, como incesto, inaceitáveis!
Verdades nossas, que escondemos até mesmo de nós, não podem ser descobertas e apontadas pelo outro. Isto sim é inaceitável. Ao outro, que apontou nossa verdade e colocou um dedo em nossa ferida, o nosso ódio, o nosso dedo em sua ferida sangrenta, a sua morte. Desejamos que o outro se esvaia, sangre e sofra. Como ousou desvendar nosso segredo? Como ousou descer aos nossos porões e revelar a verdade escondida? Como sobreviver à revelação?
Este filme, que retrata a dor e o medo, nos mostra que todos estamos sujeitos a enlouquecer, todos podemos, em algum momento, ser tomados pelo pânico, até mesmo os mais “fortes”, os que mais conhecem as armadilhas do inconsciente. Mas aos que se permitiram a dor de encarar seus monstros, iluminar seus porões é mais fácil, embora não menos doloroso, e sair destas armadilhas é possível.
LVT mistura dor e prazer, morte e sexo, medo e orgasmo. Nega-se o prazer quem sucumbiu aos seus desejos, quem colocou-os em primeiro lugar. Quem não pôde abrir mão do prazer em nome da vida deve arrancá-lo de si. Violentamente! Será que não é isto que fazemos em nossa vida? Será que não temos esta pulsão de morte? Este Tânatos? Será que muitas vezes nos entregamos ao prazer para satisfazer um instinto de destruição?
Além da densidade psicológica, AntiCristo tem cenas belíssimas, verdadeiros poemas! Não se engane com as primeiras impressões. Tudo que o filme também quer mostrar é que por trás da beleza reina o caos. Aguarde porque o caos virá. E não poupará!
Em entrevista LVT disse: “O roteiro foi finalizado e filmado sem muito entusiasmo, feito como se eu estivesse utilizando apenas metade da minha capacidade física e intelectual”, disse ainda. “O trabalho no roteiro não seguiu o meu modus operandi habitual. Cenas foram acrescentadas sem razão. Imagens foram compostas sem lógica ou função dramática. No geral, elas vieram de sonhos que eu tinha no período, ou sonhos que eu tive anteriormente.” Isto responde a quase tudo, este filme não seria tão visceral se LVT não tivesse se deixado levar pelo inconsciente, pelos seus desejos mais primários e recônditos. Resultado maravilhoso!
Este filme soca nosso estômago, agita nossas entranhas. Ninguém saiu ileso ao filme. Quem se entregou a AntiCristo jamais será o mesmo!